02 março 2013

21º Capítulo

Olhei astutamente em direção à voz que vinha da entrada da cozinha. Israel estava em pé na cozinha, acredito que ele estava prestes a explodir. O seu olhar escureceu, a algo muito sinistro e lentamente ele fez seu caminho em direção a nós.
-Eu estou atrapalhando em alguma coisa? -Israel repetiu sua pergunta. Ele perguntava friamente.
Luan me olhava cautelosamente, puxando sua mão da minha e logo fechando a torneira da pia.
-N-não. -Atrapalhei-me e olhei Luan que logo deu meia volta e caminhou cautelosamente em direção a sala. -Luan queimou o dedo na panela e eu apenas estava o ajudando com a queimadura. -Eu o olhava tentando medir sua raiva.
-Eu acredito que ele é grande o suficiente para poder segurar a própria mão debaixo da corrente de água. -Ele rosnou.
Revirei os olhos para ele e me virei em direção ao fogão. Peguei a panela com o brigadeiro e algumas colheres no armário. Caminhei em direção a sala, ignorando o comentário de Israel. Eu sabia que ele estava fervendo de ira silenciosamente, mas eu também estava. Sentei-me ao lado de Luan no chão e lhe entreguei uma colher com brigadeiro, ele me retribuiu com um sorriso pequeno. Todos começaram a pegar sua parte do brigadeiro. Começamos a assistir um filme que estava me dando sono. Juliana que estava atrás de mim no sofá, para descontrair, pegou uma colher com brigadeiro e passou-a no meu nariz.
-Eu disse que iria me vingar. -Ela sussurrou rindo. A olhei incrédula.
Bruna me olhou sorrindo. Pegou a sua colher com brigadeiro e à passou no nariz de Juliana que a olhou da mesma forma que eu havia olhado. Bruna piscou rindo.
-Junta vocês duas, borá tirar uma foto. -Bruna pegou meu iphone que estava sobre a mesinha.
Peguei o boné que estava sobre a cabeça do Luan, e o coloquei. Juliana pegou o boné de Pedro que estava sobre a mesinha de centro da sala e o colocou. Pegamos as colheres, sentamos perto uma da outra e fizemos pose para a câmera.
-Ficou muito massa. -Bruna sorriu satisfeita para a foto e logo me entregou o celular.
Limpei meu nariz e procurei sinal pela casa, consegui encontrá-lo debaixo da janela. Entrei no instagram e a postei:
naahmendonca: Alguém quer brigadeiro? haha :3
-Agora que vocês terminaram, podemos voltar a prestar atenção no filme? -Pedro perguntou. Revirei meus olhos para ele.
Deitei minha cabeça sobre o ombro do Luan. Enquanto assistia um filme que parecia ser totalmente tedioso.
Quando acordei, o filme que passava antes estava em sua parte final.
-Ei. -Luan disse em sua voz baixa.
-Desculpe. -Eu murmurei, enquanto me sentei, piscando e me alongando.
Luan mantinha seu braço em volta da minha cintura e pelo que eu havia conseguido perceber eu havia cochilado ali, em seu peito.
-Eu poderia assistir você dormir para sempre, Branquela. -Ele deu um sorriso torto.
Olho em volta, todos estavam concentrados no filme. -Eu acho melhor eu subir. -Tapei um breve bocejo.
-Precisa de ajuda... Você sabe, pra subir. -Um sorriso sexy brincou em seus lábios. O olhei ruborizada. 
-Eu acredito que possa fazer isso sozinha. -Murmurei. Ele mordeu os lábios segurando uma risada. -Boa noite pessoal, vou subir. Estou caindo de sono.
-Eu vou ir com você. -Israel se levantou. Franzi a testa e logo desejei boa noite para todos.
-Dorme bem. -Luan sussurrou para mim.
Uma vez no meu quarto. Israel que havia entrado junto comigo, puxou-me pela cintura e logo me beijou violentamente, um confronto entre dentes. Entre nossos lábios eu tentava pedir para que ele parasse.
-Você. É. Minha. -Ele rosnou ainda com os lábios colados no meu.
-Israel para. -Eu sussurrei assustada. -Para por favor, você está me machucando! -Lágrimas ameaçaram cair dos meus olhos. Ele ignorou meu pedido. Suas mãos apertando o meu corpo, seus dedos escavando em minha carne cada vez mais. -Para Israel! -Eu pedi elevando meu tom de voz. -Para você está me machucando!
Ele se empurrou para longe de mim se curvando com as mãos sobre os joelhos. Eu me inclinei contra a parede, ofegante, tentando controlar a reação desenfreada do meu corpo, tentando encontrar o meu equilíbrio novamente, enquanto lágrimas ameaçavam de cair.
-Me desculpe. -Ele sussurrou elevando seus olhos arrependidos em minha direção.
-O que está acontecendo com você? Você nunca me forçou a nada. -Choraminguei.
-Eu não sei o que está acontecendo comigo. -Seus olhos se encheram de lágrimas. -Eu poderia dizer que era meu instinto ciumento, mas era apenas eu sendo um idiota. Me desculpe?
-Israel, eu estou cansada. Eu preciso dormir. Sai do meu quarto, por favor? -Pedi olhando diretamente em seus olhos.
-Me desculpa, por favor. -Ele disse me olhando pela última vez e logo saiu do quarto.
Fechei a porta atrás de mim. Um torpor dominando a minha mente. Eu me preparei para ir para a cama sem prestar a mínima atenção com o que estava fazendo. Não foi até que eu estivesse embaixo do chuveiro. A água muito quente, queimando minha pele, que eu me dei conta de que estava morrendo de frio. Eu tremi violentamente por alguns minutos até que os jatos de água finalmente relaxaram meus músculos rígidos. Então eu fiquei embaixo do chuveiro, cansada demais pra me mexer, até que a água quente começou a acabar.
Eu saí me envolvendo cuidadosamente numa toalha, tentando manter o calor da água para que os tremores não voltassem. Eu me vesti rapidamente pra ir para a cama e me enfiei embaixo do edredom, me curvando até ficar no formato de uma bola, me abraçando para manter o calor. Uns pequenos tremores passaram por mim. Minha mente ainda estava rodando, cheia de imagens que eu não conseguia entender, e algumas que eu lutei pra reprimir. 
Acordei no outro dia, com o som dos pássaros cantando e os cavalos relinchando. Levantei-me e fui em direção a varanda e da janela pude ver Blue Jeans correndo em volta da pista, onde ele e os outros cavalos ficavam. Fui até o banheiro e tomei um banho. Sequei-me e logo me troquei.
Desci as escadas. Pedro, Bruna, Israel e Juliana estavam tomando café sobre uma deliciosa mesa.
-Bom dia. -Murmurei me sentando ao lado de Israel.
-Bom dia. -Responderam.
-Bom dia amor, você está bem? -Israel perguntou sussurrando, tocando meu braço onde ele havia apertado na noite passada. Não havia hematomas, ou estava dolorido
-Sim eu estou, e você? -Perguntei.
-Eu estou melhor. -Ele sussurrou me dando um sorriso que não tocou seus olhos.
-Alice e o Marcos já chegaram? -Perguntei pegando o pão.
-Sim. -Pedro respondeu. -Alice deve estar na cozinha.
-O que nós iremos fazer hoje? -Juliana perguntou.
-Eu tive a ideia de irmos andar a cavalo. -Sorri, isso estava meio obvio. -O que vocês acham?
-Eu acho uma ótima ideia. -Luan entrou com um sorriso lindo em seu rosto. -Bom dia, Branquela. -Ele me deu um beijo entre os cabelos.
-Bom dia, Moreno. -Murmurei. Ele cumprimentou o pessoal e se sentou a mesa. -Bom! E vocês, o que acham?
-Acho ótima a sua ideia. -Pedro sorriu. -Faz tempo que eu não ando em Fênix.
-Eu confesso que estou com saudades do Blue Jeans.
-Não entendo. -Pedro murmurou. -Por que você colocou o nome dele de Blue Jeans se ele é branco?
-O nome não interfere em nada. -Resmunguei. -Temos como exemplo Fênix.
-Cada nome que vocês dão aos cavalos. -Bruna revirou os olhos.
Todos aceitaram em ir. Aproveitei que eles haviam ido se trocar, fui até a cozinha.
-Bom dia, Tia Alice. -disse dando um beijo em seu rosto.
-Bom dia, minha flor. -Ela me olhou. -Oh Na, você está mais linda que da outra vez em que veio aqui.
-Obrigada. -Sorri. -Mas como vocês estão, o que aconteceu em relação a ontem?
-Uns problemas familiares. -Ela revirou os olhos. -Deixa isso pra lá, conseguimos resolver tudo. -Ela sorriu.
-Caso precise, pode contar comigo. -Sorri. -Onde Tio Marcos está?
-Ele deve estar lá nas cocheiras. -Ela sorriu. -Cuidando de seu Blue Jeans.
Sorri. -Eu irei vê-los.
Resolvi não esperá-los, eles poderiam ir com Pedro. Desci para as cocheiras e encontrei um garoto que estava se preparando para montar em um cavalo.
-É... Oi, bom dia. -Mordi os lábios.
Ele se virou para trás me dando um sorriso, exibindo seus dentes bem cuidados.
-Olá, bom dia. -O sorriso brincava em seus lábios.
-Você sabe onde está meu tio? -Perguntei olhando para aqueles olhos penetrantes. -O Marcos. -Acrescentei.
-Oh, sim. -Ele sorriu. -O vi entrando nas cocheiras.
-Obrigada. -Mordi os lábios. Virei-me para ir em direção as cocheiras e logo uns olhinhos azuis me vieram a mente. Oh meu Deus, será ele? Virei-me para trás, para olhá-lo, ele segurava um sorriso divertido em seu rosto.
-Eu não consigo acreditar que você se esqueceu de quem eu sou. -Ele mordeu os lábios. 
-Oh meu Deus... Guilherme Greco?
-Sim sou eu. -Ele sorriu.
-Oh... Você está tão... -Não consegui completar, isso era muito constrangedor.
-Bonito? -Ele ergueu a sobrancelha divertido.
-E convencido. -Murmurei. E logo nos abraçamos.
Guilherme e eu havíamos crescido em Minas Gerais juntos. Ele devia estar com a mesma idade que a minha, na casa dos vinte. Ele estava tão diferente, tão atraente, tão bonito...
-O que você está fazendo aqui, no interior de Maringá?
-Minha família não perdeu o contato com Alice e Marcos. Peguei folga do trabalho e eles me chamaram para vir até aqui. -Ele mordeu os lábios novamente. Seus olhos examinavam todo meu corpo. -Eu cheguei agora de manhã.
-Mas eu não te vi dentro da casa. -Murmurei, eu estava corando sobre seu olhar.
-Não estou ficando na mesma casa que a de vocês. Estou ficando em uma pousada aqui perto. -Seus olhos me penetravam cada vez mais.
-Isso explica tudo. Mas e você, está trabalhando com o que?
-Virei personal trainer. -Ele sorriu. -Tenho acompanhado a sua carreira. Confesso que sou seu fã, principalmente desses olhinhos verdes. -Ele sorriu tocando meu nariz. Corei ainda mais. Ele riu. -Mas e você, veio só?
-Não. Vim acompanhada do meu namorado, Pedro e mais três amigos.
-Você está namorando! Eu deveria saber disso.
-Sim você deveria! Logo irá conhecê-lo. -Sorri. Olhei para a cocheira que estava alguns metros distante de nós.
-Quer que eu te acompanhe até lá? -Ele perguntou seguindo meu olhar.
Saímos andando e logo entramos no longo estábulo. Avistamos meu Tio conversando com um homem, logo ele me viu, acenou e veio em nossa direção.
-Olha quem está aqui. -ele dizia me dando um beijo no rosto. -Como você está?
-Oi Tio, eu estou bem e o senhor?
-Sem o senhor, por favor. -Ele riu. -Estou bem. Pelo que eu vejo, já encontrou Guilherme não é? Veio nos fazer uma visita. -Ele sorriu.
-Sim ele me disse. -Sorri. -Estou doida para ver Blue Jeans.
-Ele está amarrado em uma das baias lá de fora, ou está no pasto. Já o deixaram preparado para você. -Ele sorriu.
-Eu irei até lá. -Disse indo em direção as baias.
-Eu te acompanho. -Guilherme caminhou junto comigo.
Logo que saímos avistamos Blue jeans galopando. Ele estava tão mais bonito do que da outra vez que o vi.
Caminhamos até ele. Guilherme o trouxe até mim. Passei a mão em sua crina, e logo montei em seu dorso.
-Cuidado, Araguaia. -Guilherme sorriu para mim.
Caminhei com ele lentamente até iniciar um leve galope. O guiei até o pasto e logo o fiz acelerar os passos fazendo com que ele galopasse mais rápido.
Segurei as rédeas de Blue Jeans e assim, senti aquele vento no meu rosto, aquele ar de liberdade, natureza que eu não sentia há muito tempo. Fomos nos afastando cada vez mais. Logo várias coisas invadiram meus pensamentos... Dúvidas, medos, indecisões... Tantas coisas. A bile subiu em minha garganta e não fiz esforço algum para que ela permanece ali ou pudesse sumir. Deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto, fazendo com que Blue jeans galopasse cada vez mais rápido.
Percebi que havíamos nos afastado mais do que deveríamos. Cavalgamos de forma que eu estivesse de volta e podendo avistar todos.
-Precisa de ajuda pra descer? -Guilherme correu em minha direção.
-Não Gui, obrigada. -Respondi e desci. Israel segurou minha mão de forma que eu estivesse totalmente equilibrada em meus pés.
-Porque você não nos esperou? -Pedro perguntou.
-Vocês demoraram demais, acabei não aguentando esperar. -Dei de ombros. Percebi Guilherme olhando meio curioso para eles. -Gui, esse é o Pedro meu irmão. Acredito que você se lembre dele.
-Guilherme o que morava em Uberlândia? -Pedro ergueu uma sobrancelha. Israel passou um braço pela minha cintura.
-Sim sou eu. Rapaz não reconheci você. -Guilherme sorriu. Logo eles se cumprimentaram com um aperto de mão e um abraço.
-Esse é Israel meu namorado, Luan meu amigo, Bruna sua irmã e Juliana minha amiga. -Os apresentei. Guilherme mostrou mais interesse em conhecer Juliana.
-Nós iremos andar a cavalo ou só você? -Luan perguntou erguendo uma sobrancelha.
Fomos caminhando em direção ao estábulo. Israel segurou minha mão me fazendo ficar mais distante do pessoal.
-Como você está? -Ele parecia preocupado.
-Se eu dissesse que eu estou bem, eu estaria mentindo.
-Eu também. -Ele murmurou. -Todas as vezes que eu fecho os olhos e lembro de seus olhos verdes me olhando assustados, com medo... O arrependimento varre o meu peito. Me desculpa, por favor?
-Eu não quero que isso se repita novamente. -Sussurrei.
-Eu prometo pra você que não irá se repetir. Me desculpa, Na? -Sua voz falhou.
-Esquece isso, por favor, isso é passado. -Eu envolvi meus braços em volta do seu pescoço. -Eu só espero que você não traga o passado para o presente. -Choraminguei.
-Eu prometo que eu não o farei. -Ele apertou os braços em volta da minha cintura e selou nossos lábios.
(...)
Luan montou em um cavalo preto, Israel em um mais claro que de Luan. Bruna em um caramelo, Juliana em um caramelo com branco, Pedro em Fênix e eu montei em Blue Jeans. Cavalgamos pelo pasto durante um tempo. Pedro e Bruna, seguiram em direção a cachoeira. Juliana havia prendido Guilherme em um papo que parecia estar bom.
-Eu nunca havia ido a uma chácara que havia cavalos. -Luan caminhou até o meu lado.
-Realmente não é muito comum. -Ri. -A chácara está crescendo. Estávamos com saudades de Blue Jeans e Fênix, resolvemos trazê-los pra cá. Meus tios se responsabilizaram por eles e logo pelos outros cavalos do meu pai. -Respondi.
-Foi uma ideia ótima. -Ele sorriu. -Como você está? Estou sentindo você meio distante.
-É impressão sua, eu estou bem. -Não eu não estou bem, mas não sou corajosa o suficiente para lhe dizer o que está acontecendo. Fomos caminhando lentamente, em silêncio. Logo uma ideia me surgiu. -Moreno? -O chamei.
-Eu?
-Eu acabei de ter uma ideia. -Mordi o lábio inferior.
-Lá vem, você e suas ideias. -Ele murmurou.
-Eu estou falando serio. -Resmunguei.
-Eu disse que você estava brincando? -Ele mordeu os lábios suprimindo um sorriso. Revirei os olhos.  -Vamos apostar uma corrida? Sem prêmios. Daqui até aquela árvore da ponta. -Apontei em direção à uma árvore que estava a alguns metros de onde estávamos.
-Você está pronta para perder? -Ele ergueu uma sobrancelha.
-Quem disse que eu vou perder? -Dei-lhe um sorriso irônico.
-Aposta feita. -Ele disse se posicionando ao meu lado.
-Começamos do três, se alguém roubar voltamos do começo. -Disse pegando na rédea do Blue Jeans. -1...
-2... -Ele pegou na rédea de seu cavalo.
-3... -Gritei. O fiz acelerar os passos e assim fazendo com que meu cavalo disparasse a correr e Luan fez o mesmo com o dele.
Blue Jeans corria disparado e era impossível controlá-lo. Acabamos passando da tal árvore. Segurei com firmeza a rédea com as duas mãos e só então me sentei ereta e puxei-o com força e lentamente foi parando. Alguns milésimos depois Luan fez o mesmo parando o cavalo dele ao meu lado.
-Táquipariu, cara. -Ele dizia recuperando o fôlego.
-Ganhei. -disse com um sorriso de vitória.
-Ah não cara, não acredito que eu perdi. -Ele fez beicinho.
-Não deveria ter duvidado de mim. -Ri de sua carranca. Olhei para trás, havíamos nos distanciado mais do que eu imaginava, logo pude ver Israel nos olhando com uma expressão impassiva. -Vamos voltar, acabamos nos distanciando demais. -Murmurei.
Ele meio que despertou e então me respondeu. 
-Vamos.
Sacudi a rédea de leve e Blue Jeans saiu caminhando. Luan fez o mesmo e fomos andando juntos. Luan ainda me olhava meio boquiaberto. Dois minutos depois ele resolveu falar.
-Porque você não me disse que sabia andar tão bem a cavalo? -Ele me encarou.
-Não tive oportunidade, mas eu cresci e fui criada assim, no meio do mato. Digamos que sou uma amazona ou Araguaia como diz o Guilherme. -Mordi o lábio inferior.
-A cada dia você me surpreende. -Ele me deu um sorriso torto.
-Baba muito. -disse rindo dele.
-Deixou o Luan pra trás hein? -Juliana cavalgou até nós.
-Eu disse para ele não duvidar. -Sorri.
-Vamos entrar, acredito que o almoço já esteja pronto. -Israel murmurou.
Uma vez na sala nos surpreendemos ao ver Pedro e Bruna que estavam se beijando no sofá.
Os olhos de Juliana se encheram de lágrimas e logo ela saiu disparada em direção as escadas. Olhei aflita para Israel e corri subindo atrás dela. Bati na porta e na quarta batida ela abriu. Entrei e ela estava abraçada em seu travesseiro com lágrimas rolando em seu rosto.
-Oh Jujuba. -Murmurei.
-Porque ele faz questão de esfregar na minha cara que está com ela? -Sua voz era quase impossível de se ouvir.
-Oh Ju... Eu tenho certeza que ele não fez isso pra te atingir. -Sentei-me ao seu lado na cama. -Eu odeio ver você assim, pra baixo, ainda mais quando o motivo é o meu irmão.
-Eu o amo, eu me entreguei a ele. E só de saber que eu fui mais uma, me dói e muito. -Ela dizia com as lágrimas rolando em seu rosto.
-Oh Ju. -A abracei.
-Ele não merece suas lágrimas Juliana. Homem algum as merece. -Murmurei. -Cadê aquela menina que para todos os problemas, os enfrentava de cabeça erguida?
-É essa menina alegre, sonhadora, romântica que acabou se fodendo legal. -Ela resmungou.
Eu era a pior pessoa pra dar conselhos em um momento desses. Ele era meu irmão, ela minha melhor amiga. Ele estava errado, mas o que eu poderia dizer nesse momento? Ela deu um pulo do meu colo. Eu acabei me assustando e a olhei com olhos arregalados.
-Você tem razão. -Ela fungou. -Eu não vou ficar aqui chorando por homem algum. -Ela limpou as lágrimas com as costas da mão em um gesto birrento. -Eu vou seguir em frente de cabeça erguida, esquecer tudo isso. Eu quero alguém do meu lado que me ama de verdade. Acho que eu mereço isso não é? -Ela se sentou com as pernas cruzadas.
-Essa é a Juliana que eu conheço. -Sorri. -Sim você merece e muito, e eu acredito que está mais perto de você do que você possa imaginar. -Mordi os lábios. Ela semicerrou os olhos.
-Você está falando do Guilherme? -Ela ergueu uma sobrancelha.
-Não sei, será? -Segurei a risada.
-Oh... Não sei o que seria de mim sem você, morena. -Ela me abraçou novamente.
-E eu não sei o que seria de mim, sem a minha loira. Olhamos uma para a cara da outra e rimos. -Vamos descer, estou morta de fome. -Levantei-me.
(...)
Terminamos um almoço delicioso que só minha tia sabia como fazer. Israel desceu as escadas com sua mala e uma mochila nas costas.
-Você tem certeza que vai ficar com ele aqui. -Ele sussurrou enquanto estávamos do lado de fora da casa.
-Israel você não confia em mim? -Perguntei.
-Em você eu confio. Nele não. -Ele resmungou. Revirei os olhos. Tuche que estava dentro do carro buzinou. -É melhor eu ir. Qualquer coisa, me liga. Eu te amo. -Nos beijamos nos despedindo e ele entrou no carro.
Caminhei em direção à área da piscina e me juntei a Luan, Juliana, Pedro e Bruna. Logo Bruna e Pedro começaram com a melação de sempre.
-Caramba, desgrudem um pouco. -Luan murmurou enciumado.
-Deixa os dois Luan. Parece que nunca ficou assim com alguém - Disse rindo.
-Não com quem eu realmente queria ficar. -Seus olhos encontraram o meu enquanto ele falava. Logo ele se levantou e caminhou em direção a entrada da cozinha.
-Na, você pode vir comigo? Preciso conversar com você. -Juliana se levantou e me estendeu sua mão.
-Claro Jujuba. -Peguei em sua mão.
-Borá ir lá no quarto.
Uma vez dentro do meu quarto, me sentei encostada na cabeceira da cama.
-O que está acontecendo? -Juliana perguntou me olhando com aqueles olhos capazes de arrancar qualquer informação.
Oh... 
-Do que você está falando?
-Eu já te fiz essa pergunta ontem e você não quis responde-lá. Mas eu sinto em lhe dizer, você não pode guardar isso dentro de você pra sempre. Isso vai acabar te fazendo mal, se é que já não está fazendo. -Ela se sentou de frente pra mim. -Me diz o que está acontecendo? -Ela pediu.
-Oh Ju... -Falhei e logo meu coração se apertou. -Você sabe que eu não sou muito boa com essa coisa que chamam de amor, não é? 
-Sim, eu sei. -Ela tombou a cabeça para o lado. -Continua. -Ela pediu novamente.
-Nem eu sou capaz de dizer o que está acontecendo. -Lágrimas ameaçaram de cair dos meus olhos. -Eu não sei como começar. -Dei de ombros.
-Do começo. -Ela revirou os olhos.
Eu não teria como fugir da tenaz Juliana, teria que falar. Eu nunca fui de me abrir com ninguém, como eu vou fazer isso, por onde eu começo?
-Eu acredito que tudo tenha começado quando Israel terminou comigo. -Respirei fundo. -Luan começou a se aproximar mais de mim, nos aproximamos um do outro... E graças a isso viramos melhores amigos. Mas eu acho que eu acabei misturando os sentimentos. -Uma lágrima rolou pelo meu rosto, droga! -Eu acredito que não fui a única. O meu sentimento por ele começou a mudar, e ele começou a deixar claro o que ele estava querendo comigo. Eu no começo estava com um certo medo, mas resolvi arriscar, resolvi me entregar e dar uma chance pra ele, uma chance para ele me fazer feliz, mas... -Fui incapaz de continuar e lá estava eu, chorando na frente de Juliana.
-O Israel voltou. -Ela completou.
-Sim. E reacendeu tudo o que sentia por ele. Sem pensar em nada, aceitei suas desculpas eu voltei pra ele. Mas quando eu estava com ele, eu sentia falta da voz do Luan, de seus carinhos, suas risadas, seus olhos, eu sentia falta dele. Mesmo assim, eu queria permanecer ao lado do Israel. -A cada palavra, minhas lágrimas desciam sem que eu pudesse controlá-las. -Luan no começo se afastou de mim e isso estava me matando, então ele voltou, e ele estava demonstrando que não iria desistir de mim.
-Pelo que parece ele não vai desistir tão cedo. -Ela murmurou.
-E eu estou machucando-o de tal forma que dói em mim saber que em um passo eu poderia acabar com essa dor, mas eu tenho medo... Medo de estar realmente confundindo as coisas, me entregar para Luan e vê que não era aquilo que eu estava imaginando e acabar machucando Israel, eu não suportaria machuca-lo. Da mesma forma que eu não estou suportando machucar o Luan. -Desabei e lágrimas tomaram conta de mim.
Juliana me puxou e me abraçou.
-Eu não sei o que fazer. -Choraminguei. -Eu não consigo entender que merda é essa.
-Você ama o Luan! -Ela sussurrou.
-Não! -Levantei-me assustada com a sua afirmação. -Eu amo o Israel, eu tenho certeza disso. -Disse entredentes.
-Você realmente tem certeza disso? -Ela me encarou com seus olhos azuis.
Oh não...
-Eu amo Luan e Israel ao mesmo tempo! -Constatei.  -Oh meu Deus, isso é possível, Juliana? -Meu coração se apertava cada vez mais.
-Eu não sou nenhuma entendedora do amor, mas é o que parece. -Ela deu de ombros.
-Isso não pode ser verdade. -Outra lágrima rolou, a sequei com as costas da mão. -O que eu faço, Juliana?
-Olha amiga, eu li uma frase do Johnny Depp, seu eu não me engano. Ela é claramente assim: Se você acha que ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se você realmente amasse a primeira ,não teria uma segunda opção. -Ela recitou a frase e me abraçou novamente. -Eu não estou dizendo para você ficar com o Israel ou com o Luan, porque isso quem tem que decidir é você, o seu coração. Eu não quero interferir em sua decisão, mas eu também não quero ver você sofrendo. Eu só te peço para que você pense direitinho, não tome decisões precipitadas, só tome cuidado para não se arrepender no futuro.
A abracei o mais forte que eu poderia.
Oh meu Deus, porque comigo? Porque eu, que logo não entendo nada sobre o amor, tenho que estar passando por isso. Está doendo tanto, e eu não consigo escutá-lo, não consigo escutar meu coração, porque ele não fala diretamente, claramente comigo? Eu tenho medo da minha decisão.
Eu tenho certeza de três coisas: Primeira, eu vou acabar machucando um dos dois. Segunda, eu amo o Israel e tenho medo de machucá-lo. Terceira, eu estou perdidamente e incondicionalmente apaixonada pelo Luan e eu também tenho medo de machucá-lo.

"A única pessoa que eu não posso estar junto é aquela que eu mais queria entregar meu coração." -A casa do lago.


Bebês, capítulo postado. Espero realmente que gostem, tentei caprichar o máximo que pude nesse capítulo. Muito obrigada pelos parabéns, eu realmente fiquei muito mais feliz com cada parabéns que eu li de vocês, eu desejo tudo em dobro para um de vocês. Bom eu estou sentindo falta dos meus outros leitores que sumiram, poxa, me abandonaram? : / Posto outro depois de no mínimo 4 comentários, será que rola?

8 comentários:

  1. Aiin que lindo tudo,tadinha ela tá mesmo confusa eu ajudo fica com o Luan kkkkkkk.Parabéns linda a fic tá cada dia melhor. @nathydonego

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  2. perfeição existe?
    sim claro, a sua fanfic
    oque falar? eu to de boca aberta!
    simplesmente PERFEITA, LINDA, MARAVILHOSA cara :')
    continue sempre assim! hahaah
    quero mais u_u

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  3. meu deus esse Guilherme é de babar haha posta mais nega @LSeTWamoreterno

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  4. Aaah ela tem q ficar com o Lu cara, olha o jeito q ele trata ela!!!!!? @lsmeuamoor_

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  5. vixe, se eu fosse a Na, ficaria com o Lu, não pq é o Nego, mas sim por causa das atitudes do Israel que não da confiança e tranquilidade, so medo e insegurança

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  6. a ná tem que ficar cm o lu logo, pra fazer ele parar de sofrer e pq é o melhor pra ela.. mais mais nega ,bjoo *-*

    @FCLSFascinacao
    (Jéssica Sales)

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  7. tá perfeita a fic amor.
    @lrdsmeuar

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  8. Está 10 a sua fic ,parabéns tô amando

    Beijos :g

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