24 abril 2013

44º Capítulo.

Cliquem e escutem acompanhando o capítulo.
O mês passou digamos que voando, estávamos na primeira semana de setembro. Como imaginávamos, um dia depois do show em Campos do Jordão, as fotos tiradas pelos paparazzi haviam servido de capa para a maioria das revistas e colunas de fofocas. Todo o esforço que fizemos para tentar me esconder foi tolamente em vão. Agora qualquer vacilo seria a ruína.
No meio da semana, Luan me ligou convidando para eu ir a um almoço de família na casa dele. Pensei em recusar no começo, mas logo depois Bruna me ligou intimando falando que queria muito que eu fosse porque ela e os pais deles também faziam questão da minha presença. Enfim aceitei o convite.
Sai do banheiro e me enrolei do roupão do hotel. O tempo de Londrina estava friozinho. Caminhei até a minha mala e busquei algo confortável e apresentável para vestir.

Estava terminando de passar a maquiagem quando bateram na porta. Coloquei a maquiagem em cima da bancada do banheiro e fui até a porta.
-Pois não? -Olhei o rapaz que parecia trabalhar ali.
-Entrega especial para senhorita... -Ele olhou um pequeno pedaço de papel em sua mão e então pude perceber ele corar totalmente. -Natacha Mendonça.
- Sou eu. -Respondi.
Ele me passou então um buquê de rosas vermelhas, lindas. Devia ter uns quarenta botões de rosas, desabrochando. Agradeci e fechei a porta, trancando-a. Sentei na cama, peguei o cartão no meio das flores e depositei o buquê na cama. Abri o cartão. Reconheci a letra no mesmo momento. Não precisava nem de assinatura no final. Sorri lendo.
"Hoje quis ser mais romântico com a minha namorada. Estou te esperando no estacionamento do hotel. Beijos. Luan”
-Quando eu imagino que ele não pode ser mais romântico...-Falei sozinha e ri.
Olhei as horas, eram 11hrs. Olhei para a cama onde o buquê repousava. Meu olhos vagaram sobre o quarto, parando perto da mesinha que havia ao lado da TV e sobre ela, havia um pequeno arranjo de flores do próprio hotel. Depositei o buquê no lugar onde a alguns segundos atrás estavam o arranjo. Peguei o meu iPhone e caminhei até a porta. Assim que rodei a maçaneta e estava preparada para sair, um certo alguém me impediu.
-Oi. -Sorri timidamente.
-Bom dia, Minha Branquela. -Ele sorriu e me envolveu em seus braços, me arrastando pro quarto.
-Achei que iria estar me esperando no estacionamento.
-Não aguentei ficar lá embaixo te esperando. Que saudades que eu estava de você. Mais de semanas longe de você!
-Ei! -Toquei a ponta de seu nariz com o indicador. -Ao menos sempre nos falamos. Assim a saudade fica menor.
-Um tantinho assim menor, né? -Luan mostrou nos dedos um espacinho da largura de uma agulha. Menos de meio centímetro.
-Bobo. -Falei jogando meus braços em volta do pescoço dele.
- Gostou das flores? -Ele deslizou as costas da mão em meu rosto. Segurei sua mão ali.
- São lindas. -Sorri. -Você sabe que é romântico, pra quê ficar me provando isso?
-É te provocando, é diferente. -respondeu abaixando e me dando um selinho, que não demorou a se tornar um beijo de língua que me tinha imprensada na porta e puxando os fios de cabelo dele.
Ele fazia uma coisa que me deixava praticamente louca: começava a beijar devagar, com toda paciência, e depois ia para um ritmo mais rápido, frenético, que me deixava quase sem fôlego e cheia de desejo, para depois diminuir, voltar a calmaria. Era como se ele fizesse só pra me provocar, para implicar comigo. Eu não duvidava que fosse realmente essa sua intenção.
-É melhor nós irmos antes que eu queira matar a saudades de outra forma.
-Eu também acho. -Falei colocando a mão no peito dele e nos afastando.
-Suas malas já estão prontas? -Ele perguntou olhando vagamente pelo quarto.
-Já, a minha equipe vai levar. -Respondi pegando meu iPhone.
-Então vamos? -Ele perguntou.
Seguimos ate a saída do hotel e paramos ao lado do porsche. Ele como um ótimo cavaleiro abriu a porta pra mim. Subi no carro e esperei ele se sentar ao meu lado.
-Minha mãe está ansiosa para rever a norinha dela. -Ele comentou enquanto dirigia tranquilamente.
-Ainda não acredito que você me convenceu a ir nesse almoço.
-Isso é ruim?  
-Não. Eu já conheço eles, já fui apresentada a eles, mas como sua amiga. E agora você vai me apresentar de novo, não como sua amiga, mas sim como sua namorada. É estranho.
-Você não deveria perder seu tempo se preocupando com isso. 
-Difícil. Acho que sou um pouco paranoica.
-Hmm. O que eu poderia fazer para tirar essas paranoias da sua cabeça? -indagou fingindo estar perdido em pensamentos. Aproveitou que estávamos no farol. Seus dedos indicador e médio caminhavam como pernas em meu pescoço até minha bochecha. Meu coração estava acelerado, minha respiração ofegante demonstrava apenas minha ansiedade. De repente pareceu ter uma ideia e retirou a mão de minha pele. -Vamos fazer um acordo.
-Que tipo de acordo? -perguntei tentando controlar a respiração.  
-Se por algum motivo que não consigo nem imaginar, meus pais não aprovarem você, como minha namorada, eu tenho permissão para te trancar no meu quarto... Comigo, claro. 
-Não seria muito educado da sua parte abandonar sua mãe no dia que ela planeja um almoço para a nora dela.
-É só eu falar que vou treinar para dar neto para ela que tenho certeza que não se importará.
-Neto? Nenhum bebê vai sair daqui tão cedo. 
-Eu falei treinar. E não fale uma barbaridade dessas pra minha mãe. Quanto mais cedo ela achar que tem chances de se tornar uma avó, maior é a chance de ela aprovar você.  
-Acho que a gente deveria evitar falar em netos com ela. Ou sobre treinar. Ou qualquer coisa que envolva nós dois fazendo sexo.
No caminho, minha ansiedade fazia-se cada vez mais notável. Luan toda hora colocava a mão em minha coxa quando eu começava a balançar as pernas compulsivamente.
-Você está começando a me deixar nervoso também. -ele falou.
-Bruna vai estar lá também né? -Questionei.
-Sim. Você já me perguntou isso e eu já falei que ela vai.  
-Desculpa. -falei bufando. -Eu me sinto ridícula. 
-Você está exagerando. Eles são bastante tranquilos, Branquela.
-Eu sei, vou tentar manter a calma. -Falei, mas depois de cinco minutos minha ansiedade retornou.
Paramos em frente à casa do Luan, ele desligou o carro e veio até meu lado abrindo a porta para mim.
-Vamos? -Ele estendeu a mão pra mim.
-Ah meu Deus, ah meu Deus... -murmurava sem parar. -Acho que vou fazer xixi.
-Vamos, Amor. Fica calma e me dá a mão. -Ele disse. Tentando acalmar os nervos, dei a mão para ele.
-Eu estou cheirosa? -questionei. Só o que faltava era a família dele achar que eu fedia.
-Não sei, deixa eu sentir. -ele falou abaixando o rosto e fungando meu pescoço.
-E aí? -indaguei quando ele se afastou.
-Não senti direito, tenho que cheirar de novo. -falou abaixando-se novamente, mas ao invés de colocar o nariz em meu pescoço, pôs lábios e começou a beijar o local. 
-Luan, para! 
-Você está com o cheiro tão bom que eu não consigo parar. -falou mordiscando o lóbulo de minha orelha. 
-Luan, vamos... Para... -tentei protestar, mas ao mesmo tempo em que aquilo nos fazia demorar mais, também acabava me acalmando. Isto até o momento em que dona Marizete e seu Amarildo vieram nos recepcionar.
-Então você é minha nora agora? -Seu Amarildo me abraçou.
-É o que parece. -Sorri nervosa. -Ei, sogrinha. -Arrisquei. -Tudo bom?
-Norinha! -Ela riu. -Tô sim, e muito feliz por vocês dois viu? -E segurou em minhas mãos. -Eu sei que você vai fazer meu menino muito feliz. -Seu Amarildo interrompeu.
-Assim a gente espera né? Que vocês dois possam ser muito felizes, e deem muitos netinhos pra gente! -Ele brincou me deixando totalmente vermelha.
- Tem que acelerar né não pai? -Luan brincou.
-Cunhadinhaaaa! -Bruna me abraçou. -Meu pai tá certo, quero um sobrinho logo.
O que foi? Todos resolveram cobrar isso de mim agora?
-Você está mais bela do que a última vez que nós te vimos. -Amarildo comentou me deixando mais vermelha ainda.
-Não precisa ficar constrangida, querida. Luan provavelmente estava esperando alguém como você para nos apresentar.
-Bora entrar? -Bruna nos chamou.
Assim que entramos na casa, meus olhos paralisaram nas pessoas que estavam no meio da sala.
-Mãe? Pai? -Indaguei confusa. Pedro também estava lá, mas a presença dele não havia me surpreendido tanto quanto a presença dos meus pais.
Não sei se foi à empolgação da manhã, ou até mesmo a saudade que eu estava deles, mas estava com meus braços ao redor da minha mãe e logo em seguida ao redor do meu pai.
-É algum tipo de reunião? -Perguntei quando eu já havia me afastado dos braços dos meus pais.
-Nós estamos comemorando o fato de que Luan finalmente arrumou uma namorada. -Bruna comentou arrancado riso de todos.
-Para de dizer besteiras Bruna. -Marizete tentou parecer brava com a filha, mas acabou falhando. -Na verdade eu e sua mãe tivemos a ideia compartilharmos um almoço em família e comemorarmos o namoro de vocês. -Ela sorriu.
-Eu também estou aqui pirralha. -Pedro fez um falso biquinho.
Eu poderia dizer que eu simplesmente tenho inúmeras vontades de matar o meu irmão, mas eu simplesmente odiava amar ele.
Eu ajudei os outros a levar algumas coisas para o lado de fora da casa. Eu estava impressionada com a quantidade de comida que eles haviam preparado e sinceramente não imaginava que seriam capazes de comer tudo aquilo. O clima estava meio nublado, mas não se importaram com isso. Aproveitaram para rir, contar sobre a semana de trabalho que cada um teve.
-Na, venha para cá com a gente. -Marizete falou deitada em uma das camas em frente à piscina com minha mãe ao seu lado.
-Tudo bem? -Perguntei a elas sem saber o que dizer, sentando-me na outra cama.
-Tudo ótimo. -Marizete respondeu. -Deixe os homens fazerem essas coisas. Se eles perceberem que tem alguém querendo ajudar demais vão deixar tudo em suas mãos.
-Ok. -Falei dando um sorriso sem graça. -Posso saber como as senhoritas organizaram tudo isso? -Perguntei olhando para Marizete e em seguida para minha Mãe.
-Eu tive a iniciativa, liguei uma semana depois do seu aniversário. -Minha mãe confessou. -Na verdade apenas liguei para tentar me aproximar mais da sogra da minha filha.
-Acabamos saindo uma ou duas vezes e então tivemos a ideia do almoço. -Marizete sorriu para a amiga ao lado.
Depois de algumas conversas e risadas minha mãe foi até a churrasqueira onde meu pai a chamava.
-Luan está mudado. -Marizete disse retomando nossa conversa.
-Já me falaram a mesma coisa. -Comentei lembrando-me da conversa que havia tido com a Daiane e a Marla.
-Eu sei que já, eu sei da conversa que a Marla e a Daiane tiveram com você. Eu me preocupava com ele. Não pelos motivos que às vezes alguns invejosos costumam citar pelo fato de que ele nunca apresentou uma namorada para a mídia, mas porque Luan sempre foi diferente da Bruna. Desde pequeno, quando eu o levava para o parquinho, Bruna tinha que puxá-lo pela mão para que ele se juntasse a ela e brincasse com as outras crianças. Quando a música entrou em seu caminho parecia que ele tinha se distanciado mais ainda das pessoas. Eu fico feliz que ele tenha achado outra paixão. Ninguém merece viver sozinho, muito menos meu menino.
-É estranho escutar você retratar esse lado do Luan. Ele é tão extrovertido. Toda vez que alguém fala sobre esse Luan mais quieto, mais reservado, é até difícil acreditar que é a mesma pessoa.
-Luan mudou muito com a fama, mas felizmente não de uma forma negativa. Ele se sente confiante trabalhando nesse meio e acabou desabrochando, mas a vida não se resume a trabalho. A única vez que discuti com meu filho, o motivo foi exatamente esse. Se não bastasse o fato de que Luan sempre se dedicou a música, ainda arruma uma assessora que acha que trabalho é a única coisa que ele deve se focar.
-Eu ainda não convivi muito com a Dagmar, por isso não posso reclamar dela.
-Aposto que ela deu um ataque quando soube que vocês estavam juntos.
-Foi totalmente ao contrário, ela resolveu apenas agir de forma profissional. Quem resolveu dar ataque foi a minha assessora. -Murmurei.
-Por quê? Não acredito que Luan tentou fazer você esconder isso dela.
-Ele foi o primeiro a querer contar. Na verdade eu quem pedi que ele fosse com calma no começo. Sei que se fossemos comentar qualquer coisa sobre nosso relacionamento com ela, algum problema ia dar, principalmente porque eu havia acabado de terminar um relacionamento.
-Por mim assessoras assim deveriam ser demitidas. E não se martirize, menina. Às vezes você acaba encontrando alguém especial nos momentos mais importunos.
-Espero que todos tenham a mesma visão que você. -falei com uma risada sem graça.
-Se pensarem o contrário, não dê ouvidos. A maneira como ele te olha, isso é o que me conforta. Saber que meu filho finalmente sabe o que é se apaixonar. Obrigada. 
-A senhora não precisa me agradecer. Aliás, se tem alguém que deveria dizer obrigada, sou eu. Muito obrigada por fazer o Luan. -Disse rindo. -Ele me faz sorrir todos os dias, desde que colocou os pés no meu camarim.  
-Ele é um bom menino. Juro que não estou falando isso porque ele é meu filho. 
 -Eu sei. -concordei vendo que Luan havia acabado de falar com meu pai e se aproximava de nós. -E juro que não estou concordando porque ele é meu namorado.  
-O que vocês tanto falam? -Luan questionou deitando na mesma cama que eu e colocando a cabeça em cima de minhas pernas. Minhas mãos começaram a fazer cafuné em seu cabelo.
-Estou apenas conhecendo minha nora. -Marizete respondeu.
-E ela óbvio ganhou o selo de aprovação da sogra, né? -ele perguntou e eu estava ansiosa para saber o que ela ia dizer. 
 -É claro. Só pelo fato que ela aguenta lidar com você já ganha imediatamente minha aprovação. -ela brincou. 
-Esse é o tipo de amor que eu recebo da minha família. -ele murmurou. 
-Você sabe que estou brincando, meu anjo. Estou feliz por você. -ela disse se levantando e ao aproximar-se de Luan deu um beijo na bochecha dele e surpreendeu-me ao repetir o mesmo tipo de carinho comigo. -Vou dar uma mão pro seu pai e pro seu genro porque eles não tem muito bom senso na hora de temperar a comida.  
-Ela te encheu de perguntas?  
-Não. Sua mãe é um amor de pessoa.  
-Ela é. Ela gostou de você. - afirmou.
-Acho que sim. Nós mantemos uma boa conversa.
Olhei para onde todos estavam reunidos, minha mãe e minha sogra pareciam amigas de longos anos, meu pai e meu sogro também não eram diferentes. Luan se levantou, se deitou ao meu lado, me fazendo deitar em seu peito. Achei que ele já estava frustrado com a demora do almoço ou estava sentindo um tédio imenso pelo silêncio que nós estávamos, mas depois percebi que tudo que ele queria era achar uma posição em que pudesse colocar a mão no meu cabelo. Fechei meus olhos e tentei me concentrar em seu toque.
-Eu estou te deixando com sono? -ele sussurrou de repente. Quando abri meus olhos, seu rosto estava na mesma direção do meu.
-Não. Isso é bom. 
-Ah sim. - respondeu com um sorriso.
-Fico feliz que você aceitou o namoro da Bruna e do Pedro, quero dizer, eu imaginava que você iria tentar de tudo para impedir, ou fazer um drama total. -Ri olhando para o casal que se comiam apenas com os olhos.
-Eu fui obrigado a aceitar. -Ele murmurou.
-Obrigado? Por quê?
-Por incrível que pareça, o Mané do seu irmão soube jogar comigo. Ele disse que se eu tentasse impedir o namoro dele com a Bruna ele faria a mesma coisa, afinal eu namoro a irmã dele. -Ele bufou.
-É até que o idiota sabe jogar. -Falei rindo e me aproximei para dar um ligeiro beijo em seus lábios. -Se ele não tivesse usado essa chantagem você iria impedir o namoro dos dois?
-Lógico! Minha irmã é uma pirralha ainda, não tem idade pra namorar.
-Eu estou ouvindo isso mesmo? Luan, a Bruna é apenas dois anos mais nova que você.
-Isso não faz ela ser menos pirralha.
-E isso não dá o direito de você poder namorar e ela não. -Ri da cara de ciúmes que ele fez. -Ela sabe o que ela está fazendo.
-Eu só tenho medo de que ela se machuque sabe? -Ele fitou meus olhos.
-Sei, mas é com os erros que nós aprendemos. Ela nunca vai aprender a andar se você tentar andar por ela. -Acariciei sua bochecha. -E eu tenho certeza, pelo que nós podemos ver, meu irmão é louco por ela. Ele está comendo na mão dela. -Rimos. -E se algum dia, coisa que eu duvido ele machucar ela, eu tenho certeza que você estará ao lado dela e irá ajudar ela a carregar a dor. -Logo me lembrei das palavras que Pedro havia me sussurrado pra mim no dia que eu descobri a traição.
-Eu não sei o que seria da minha vida sem você sabia? -Ele acariciou minha bochecha. Argh, aposto que ele faz essas coisas só para me deixar sem graça. -Sabe, desde que te conheci um pouco mais de 24 horas já descobri o quão legal é implicar com você. De vez em quando você fica constrangida e suas bochechas ficam vermelhas.
-Cala a boca! -falei, mas era em vão, minhas bochechas foram ficando quentes e Luan soltou uma gargalhada ao meu lado.
- Olha você ficando vermelhinha! Parece o Pikachu.
-O que? -perguntei séria olhando para ele. Ele vai me pagar.
-Pikachu, sabe? O Pokémon.  
-Luan, não se compara uma mulher a um bicho amarelo, que faz um barulho irritante e ainda por cima é gordo! -Falei com um ar de revolta, aparentando estar brava. Merecia no mínimo um Emmy por minha atuação. 
-Amor, eu não quis... Ele não é gordo, ele é fofinho. -Luan tentava se justificar nervoso.  
-Fofinho é o sinônimo universal pra gordo, Luan. 
-Na... é...eu não te chamei de gorda, você é bem magrinha, na verdade...mas não muito magra do tipo anoréxica, você tem tipo um corpo normal, sabe? Mas não normal do tipo sem graça, normal tipo bom, sabe? Você tem até uma bunda boa... quer dizer, não que eu vivo olhado pra ela, mas é que...-Luan já estava suando e sua mão deixava seu cabelo mais enlouquecido do que nunca. Ele tropeçava nas palavras e não aguentei, comecei a rir na cara dele. -Na? O que...? Não acredito que você tava fingindo estar brava!
-Qual o problema? Em 24 horas você aprendeu o quão legal é implicar comigo e eu aprendi o quão legal é te ver nervoso. Aliás, obrigada pelo elogio sobre meu bumbum. 
-Não acredito que falei da sua bunda.  
-Você falou, mas admito que a parte mais legal foi quando você começou a limpar o suor da testa. Imagino as coisas que vou poder arrancar de você nesses momentos.
Quando a carne estava pronta e Amarildo começou a servir a todos, começou a chover. Marizete e dona Elisa começaram a gritar apavoradas por causa da chuva que ameaçava estragar todo o almoço, os homens riam do desespero delas, mas ajudaram a reunir tudo e levar para a casa de Marizete. Luan e Pedro soltavam gargalhadas. Depois da loucura toda, nos acomodamos na imensa cozinha de Marizete para almoçar. 
Sentei em uma cadeira próxima ao lado do Luan e me servi. Estava pronta para cortar o primeiro pedaço da carne, quando senti algo molhado em minha perna. Quando abaixei a cabeça para olhar por baixo da mesa, vi que o famoso Puff, estava lambendo meu pé.
-O que você está fazendo aí, mocinho? -Perguntei a ele que começou a balançar o rabinho e pular. -Você quer comida, né? Não pode. Não adianta olhar assim, eu não sou sua mãe. Não pode comer carne porque dá dor na barriga. Não me olha assim, Puff. Ok, só um pedacinho pequeno e depois não vou te dar mais.
Quando me levantei para pegar um pedaço da carne, notei que a atenção de todo mundo estava em cima de mim. -Eu juro que a Bruna deve ter ensinado o cachorro a me olhar daquele jeito, não tem como negar nada a ele. -justifiquei mortificada e todos começaram a rir.
-Quer dizer que você ia dar carne pra ele, Amor? -Luan falou me olhando com falso desgosto.
Todos começaram a rir ainda mais. E então almocei ao redor da minha nova família com a chuva que lá fora caía torrencialmente. 
(...)
Depois de um almoço totalmente divertido, cheio de risos, nos reunimos ao redor da sala. Todos espalhados pela sala para assistir uma comédia que estava passando na TV. Eu estava deitada no colo do Luan, minhas pernas descansavam no espaço vazio e minha cabeça repousava no peito do meu namorado.
Luan matinha uma mão brincando com meu cabelo e a outra brincava com a minha aliança que estava no meu dedo anelar, nossas mãos em cima da minha barriga, que a esse momento já estava um pouco pra fora.
Os créditos do filme começaram a subir, Marizete se levantou pegando os potes com restos de pipocas e os levou até a cozinha, acompanhada de minha mãe.
-Luan, você lembra daquela vez que você chegou a comentar comigo a música que você e a Na compuseram? -Meu pai perguntou chamando a atenção do Luan que estava brincando com meus dedos.
-Claro que lembro sogrão. -Ele respondeu rindo.
-Vocês terminaram ela?
-Não, tem certo alguém que só me enrola. -Ele cutucou minha barriga.
-Eu não estou te enrolando! Apenas estou sem tempo. -Me defendi fazendo um falso bico, fazendo Luan soltar uma gargalhada gostosa.
-Já que estamos aqui na maior mordomia, vocês querem ajuda pra terminar ela? -Meu pai sugeriu.
-Opa sogrão, demorou. -Luan se animou. -Só faltam algumas estrofes e a melodia, vou ir lá em cima buscar a composição. -Ele se levantou em um único impulso. Pelo susto, e medo, de cair no chão eu agarrei no seu pescoço. -Eita amor, tá achando que eu ia te derrubar? -Ele perguntou comigo ainda no seu colo.
-Vai saber né? Do jeito que você é. -Murmurei. Ele rolou os olhos me depositando sobre o sofá. Saiu pulando no meio das almofadas e subiu em direção ao quarto.
Voltou depois de alguns minutos, ele tinha uma bermuda de algodão no lugar da calça jeans, um caderno sobre a mão, o violão sobre a outra e uma caneta sobre a boca. Sentou-se atrás de mim, me colocando no meio de suas pernas, graças ao sofá grande conseguimos nos aconchegar dessa maneira. Entregou a composição pro meu pai que pareceu se concentrar na letra, enquanto isso, Luan ficava afinando o violão que estava à minha frente.
-Isso aqui parece bom, cara. -Meu pai sorriu satisfeito, mas algo me diz que seu sorriso só se aumentou pelo motivo da dona Elisa se sentar no braço do sofá, ficando atrás dele. -Vocês conseguiram encaixar a composição em algum ritmo?
-Eu tentei uma vez, mas acabou não saindo nada. -Luan confessou com o queixo no meu ombro.
Meu pai se esticou pegando o violão dele que estava atrás do sofá e o colocou sobre o colo.
-Vocês querem um ritmo calmo ou mais agitado? -Ele perguntou começando a dedilhar no violão.
-Calmo. -Respondi.
Ele olhou pra mim, sorriu e então entregou o caderno para minha mãe segurar e começou a dedilhar algumas outras notas no violão. Do nada, ele virou o violão e começou a dar algumas batucadas no mesmo. Juro que se eu não soubesse que ele estava fazendo isso para encontrar algum ritmo, eu poderia jurar que ele estava fazendo um descarrego aqui no meio da sala.
Ele pareceu satisfeito, virou o violão e transferiu o ritmo da sua batucada para algumas notas no violão. Com a caneta que Luan havia trago, as anotou no papel.
-Consegue pegar? -Ele perguntou olhando para o meu namorado.
-Consigo sogrão. -Ele riu e tentou seguir as notas do ritmo que meu pai fazia no violão. -Espera que esse trem aqui não tá dando certo. -Ele murmurou se levantando do sofá e se sentando do meu lado, se virando para ficar de frente para mim.
-Vou tentar juntar o ritmo com as estrofes. -Meu pai se concentrou nas estrofes. Começou a cantar as estrofes acompanhadas da melodia. -Vamos fazer assim, nós tocamos e você acompanha cantando, Na?
-Ok. -Respondi.
Comecei a acompanhá-los, olhando a letra no caderno, mas algo parecia não estar dando certo, e eu juro, o problema não era eu.
-Espera, tem alguma coisa errada! Não está encaixando. -Resmunguei.
-Estava dando certo, amor. -Luan murmurou.
-Vocês estão fazendo duas pra baixo, duas pra cima e uma pra baixo. Mas a estrofe que está aqui é duas pra cima, uma pra baixo e uma pra cima agora e repete três vezes.
-Vamos tentar de novo. -Meu pai falou.
Eles começaram a introdução, comecei a acompanhá-los tentando entrar no ritmo, mas...
-Para gente! Alguns de vocês estão errando. -Eu falei.
-Amor, isso é paranoia da sua cabeça, tava indo certo. -Luan resmungou.
-Eu não sou paranoica. -Resmunguei. -Na hora de subir vocês estão fazendo dó maior.
-Claro que não, filha. -Meu pai falou. -Estamos te acompanhando e subindo em Mi maior.
-A harmonia da música está muito grave, pai. -Falei. -Empresta o violão, vou mostrar pra vocês.
Peguei o violão do meu pai, Luan havia formado uma tromba que dava medo. O ignorei, coloquei o violão sobre meu colo, arrumei a estrofe na minha frente e então comecei a dedilhar as notas no violão.
-Meus dedos não vai conseguir alcançar essas notas no meio da estrofe, você tem um capotraste? -Perguntei parando de tocar e olhando para o meu namorado bicudo.
-Aqui Na. -A fadinha me entregou um em pequenos segundos.
-Obrigada Bru. -Agradeci e ajustei o capotraste no braço do violão.
Comecei a dedilhar as notas novamente e acompanhei cantando. Era engraçado o jeito que a estrofe fluía junto com a melodia, tornando aquilo, parecer ser uma coisa totalmente fácil de fazer. 


Capítulo postado, bebês! Espero que gostem.
Perdoem-me, por favor, mais uma vez por estar demorando tanto pra postar a fic. Eu prometo, novamente, tentar não falhar tanto com vocês.
Mas eu quero interagir em uma coisa com vocês, vamos lá, vamos fingir que vocês são fãs da Natacha Mendonça e irão mandar perguntas para ela. Eu irei selecionar algumas e irei me passar por "entrevistadora" e irei fazer perguntas e ela irá responder, garanto que será bem divertido. Perguntem sobre tudo, qualquer coisa. Se tiverem alguma dúvida podem me perguntar no twitter. Espero que todos meus leitores participem.
Posto outro depois de no mínimo nove comentários.

10 comentários:

  1. awwwn tá tudo lindo,como sempre né...
    Perguntinha pra Na:Se não fosse cantora,se veria seguindo que carreira??
    posto logo muié que eu to curiosa kk'
    @nathydonego

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  2. Awwnn tá tudo muito perfeito,kkk ela e o Luan são tipo,comédia em dose dupla.
    Até que enfim tá saindo a música deles hein? kkk
    Perguntinha pra Na:O LuanJR é tão grande quanto imaginamos? Se sim,qual o tamanho que você pode compará-lo ? u.u
    Posta mais?

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  3. Amei e to louca pra ver a musica ... Mais amor ... Bjs @lsmeuamoor_

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  4. continuaaaaaaaaaaaaa
    @LS_FuracaodoAmr

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  5. Tô amando amor, tá perfeita a fic!
    Pergunta : qual foi a maior loucura que alguma fã já fez por vc?
    @lrdsmeuar

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  6. uai q será q tava acontecendo com a musica

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  7. pergunta pra Nah se a sandy dela tem nome kkkkkk ja q o do Luh tem (LuanJR) né hahah

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  8. Faz um bate-bola com ela,tipo:cor? um momento? e tal

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