31 agosto 2013

102º Capítulo.

Israel vestia uma calça de couro marrom, um grande casaco de pele em tons acobreados aberto, exibindo seu peito nu e definido, vários cordões indígenas, e, por fim, uma máscara de lobo, que lhe cobria apenas a parte superior do rosto, deixando à mostra seus lábios carnudos.
NÃO DAVA PARA CONFUNDIR COM UM CACHORRO, ELE ERA MESMO UM LOBO, UM LOBO MAU AOS MEUS OLHOS.
Eu estava errada, não podia encarar aquela parada.
-OH... MEU... DEUS! EDUAAARDOOO MENDONÇAAA! -Veio gritando em nossa direção, um pavão. Sim, um sujeito baixinho, cabelos encaracolados vermelhos, branquelo, cheio de sardas e vestindo uma fantasia horrorosa de pavão.
-Olá, Elismar! -Cumprimentou meu pai.
-HU!... OHOHOHOHOH! -Bastou ele rir pra eu notar o porquê da fantasia de pavão. Elismar era uma bichona! -Meus amores, que honra obscena recebê-los aqui. Por favor, Eduardo, me apresente sua família. -Pediu o anfitrião, enquanto soprava uma pena de pavão em suas mãos.Enquanto meu pai nos apresentava,sem ânimo, me arrastei até o jardim sendo guiada pelo namorado.

Luan POV
Meu Deus, que figura era aquela? A fantasia de pavão não fazia jus ao seu jeito escandaloso de rir e falar. Eduardo nos apresentou formalmente, mas eu duvidava que ele lembrasse todos os nomes. Ele mais parecia interessado em nossas fantasias.
-Estão todos explodindo de lindos, inclusive você, Eduardo Mendonça, amei de paixão sua fantasia de Teletubbies, isso foi para me agradar? Eu realmente adoro o Tinky Winky, durmo com ele toda noite. Nossa, sua esposa de enfermeira safada, hein? Que fantasia absurdamente absurda! Eduardo, seu danadinho!
Eu tive vontade de rir da cara do meu sogrão, constrangido, mas me contive, na esperança que Elismar não viesse falar comigo.
Porém, ele continuou a analisar nossas fantasias.
-Nossa Edu, seus filhos são lindos! -O pavão nos fitou com um largo sorriso. Quando o anfitrião avistou Pedro ao meu lado, pude perceber que meu cunhado estremeceu.
-QUE COISA MAIS LINDA, PAIZINHO DO CÉU! Um pinoquinho! Me responda, meu amor, onde está seu pauzinho... Desculpe... Quero dizer, seu narizinho de madeira? HU!... OHOHOHOHOH!
-Eu não tenho, eu não minto! -Afirmou Pedro, em um fio de voz. E ele não escapou da pena de pavão passada pelo corpo. Até que o pavão estagnou em frente ao Testa. -Que fantasia linda, qual é?
-Chuck, o brinquedo assassino! -Respondeu ele, emburrado, fazendo questão de exibir a faca.
-Ui, que delíciaaaa, parece o bonequinho que mamãe não me deu. HU!... OHOHOHOHOH! -Elismar gargalhou espalhafatoso mais uma vez. Passou a pena de pavão no corpo do meu amigo. Não aguentei, caí na gargalhada. Pra que eu fui fazer isso? O som da minha risada chamou a atenção do pavão. -Luanzinho, a sua fantasia eu já sei qual é querido, é um caçador, hum... Podemos brincar de caçar, o que você acha? Eu sou um lindo veadinho indefeso, você me caça, me mata e me come! -Que sacanagem! Agora todos riram menos eu. Elismar passou a pena no meu rosto e fiz uma careta.
Esquivei-me para poder ver a cara do Israel -que vinha em nossa direção-, quando a bichona fosse fazer piada da fantasia dele.
-Que homem enooorme! Olha só gente, ele é um lobinho. -Elismar também passou a pena pelo ex da minha namorada, que a deteve com uma mão. Israel o encarou carrancudo e Elismar sobressaltou. -AAHHHHH, minha santíssima Madonna! O bofe é literalmente uma fera, morri. AAAAAAUUUUUUUUUUU! - Sim, o pavão aviadado uivou e Israel não gostou nadinha. Eu e Pedro até tentamos segurar a gargalhada por educação, mas foi impossível.
-Não se assustem pessoal, Elismar é apenas brincalhão. -Interveio Eduardo.
-Você tem toda razão, Edu, eu adorooo uma brincadeirinha. Ui!-Ele estremeceu.
-O que acha da minha fantasia, Elismar? -Perguntou Juliana.
-É, combina com você, meu amor. -Respondeu ele com descaso. Foi então, que encarou minha namorada, sorridente e feliz pelas piadas destinadas a nós. -Capuz vermelho, cestinho, vestidinho vermelho? Não me diga que você é uma chapeuzinho vermelho masoquista.
-Não! -Natacha parecia ofendida. -Sou uma chapeuzinho vermelho do mau.
-Meu bem, desculpe decepcioná-la, mas você está mais pra uma chapeuzinho vermelho masoquista, aceite!
Natacha encarou furiosa, a Juliana, que deu de ombros como se falasse “é, parece mesmo”.
-ESPERA UM POUCO! -Elismar berrou, pondo as mãos no ar. -Chapeuzinho vermelho masoquista, lobo hiper mau e caçador gostoso? Isso foi combinado? Posso ser a vovozinha?
-NÃO! -Respondemos os três, estranhamente, ao mesmo tempo. E isso despertou outra gargalhada histérica na bichona.
Olhei à minha volta e notei que a maior parte das pessoas não estavam fantasiadas, elas eram mesmo travestis e drag queens!
Tive vontade de falar mais palavrões que a minha Branquela. Cara, o universo conspirava contra mim?
Puxei rapidamente Roberval para um lado e sussurrei.
-Cara, só por garantia, não fique com ninguém dessa festa!
-Porque, Luan? Poxa cara, já tem até umas totosas me encarando ali. -Apontou ele e, quando eu olhei as tais totosas do Roberval, me perguntei como era possível que a anta do meu amigo não percebesse que eram drag queens em volta da piscina.
-Tudo bem, seu animal, pega suas totosas, mas se você for picado por uma cobra, não vem me encher o saco depois. -Esbravejei me distanciando.
-Ei, o que você quis dizer com uma cobra? -Perguntou o bisonho, me seguindo.

Natacha POV
Eu estava largadona em uma cadeira com uma Heineken na mão.
Na mesa comigo estavam Luan, Bruna, Pedro e Felipe. Juliana e Guilherme dançavam. Porém, o que mais me preocupava era o fato do meu pai estar sempre com um copo de champanhe nas mãos. Eduardo não era de beber, no entanto, eu já havia perdido as contas de quantas taças ele havia tomado. Ele dançava animado na pista perto da piscina com a minha mãe.
Dando um longo selinho em meu namorado, me levantei e fui até a mesa de bebidas me servi. Sem que eu pudesse impedir, meu braço bateu em uma das pilhas de copos e a mesma foi parar no chão. Abaixei-me na minha maior má vontade e comecei a pegá-las.
-Na? - Reconheci a voz e petrifiquei. Ouvi passos se aproximando de mim, porém, não consegui me mover. -O que está fazendo?
Derrotada, ergui a cabeça lentamente e encarei Israel. Por que raios ele tinha se aproximado?
-Oi.
-Por que está no chão?
-Estou... Hã... Eu acabei derrubando os copos. - Levantei-me com a ajuda da mão que ele me ofertava. -E você? O que faz aqui? - Mudei de assunto.
-Folga. Sabe como é... Também sou humano. - Humano? Essa era uma coisa que duvidava. - Eu fui convidado.
-Ah... -Respondi tirando o capuz da minha cabeça e passando as mãos pelos cabelos, suavemente. Tive o prazer de observar Israel engolir seco.
Peguei uma taça de champanhe e fingi deixar uma gota escorrer pela minha boca. Aquilo foi uma das coisas que aprendi com Juliana uma vez, e, por incrível que pareça, funcionou do jeitinho que ela havia me explicado. Meus lábios chamaram a atenção do meu ex. Estava sendo bom provocá-lo.
-Você está tão diferente... -Sussurrou Israel.
-Eu não estou diferente, é que, bem... Quando nós namoramos, eu não estava sendo eu mesma. -Nossa, de onde eu tirei essa?
-Entendo, mas devo confessar que você ficou muito linda vestida de chapeuzinho vermelho. -Falou ele, meigo, tocando o capuz da minha capa.
Pude sentir meu rosto corar. Porque diabos eu estou corando?
-Ah, não. Fiquei meio engraçada.
-Se você chama sexy de engraçada, então, definitivamente, você está engraçada. -Disse ele, bebendo um gole de champanhe. -Fiquei feliz por ter sido convidado para esse baile. Não tenho muitos amigos... -Ele sorriu sem humor. -Minhas noites estão um pouco solitárias.
-E as mulheres da sua vida, como pode se sentir sozinho? -Perguntei, e sem que eu percebesse estava descarregando as palavras amargas sobre ele.
Ele desviou os olhos engolindo em seco, tirou a máscara que estava sobre sua cabeça e segurou-a em sua mão esquerda. Seu rosto estava contorcido em uma leve careta.
-Eu não quero falar sobre isso essa noite. -Ele murmurou.
-Droga! Droga! Droga! - Elismar vociferou quase batendo em um dos viados parando ao nosso lado na mesa de bebidas.
-O que aconteceu? - Juliana perguntou se aproximando. A sua pergunta foi respondida pelo som do trovão que ecoou no jardim. Olhei para o céu e vi que o tempo estava totalmente fechado.
-Essa sebosa fez o favor de ferrar com tudo. - Ele estava uma fera. -A burra achou que seria um luxo se mandasse montar um palco sem cobertura.
-Minha Diva, como eu podia adivinhar que ia chover? - Ela emburrou. -Saco! Olha como eu organizei tudo direitinho. -Bastou o viado fechar a boca e começou a chover.
O pessoal correu para se proteger do aguaceiro embaixo das árvores, deck e principalmente dentro da mansão.
-Viu só. - Elismar apontou para a chuva. - Algo está muito errado aqui.
-Me recuso a aceitar que sou azarada. -O outro viado disse emburrado. -Logo o tempo vai melhorar e vamos nos divertir, pois não me produzi toda à toa.
-Espera. - Examinei o aguaceiro, as pessoas descontentes e o gramado perto do palco. - Não vesti essa fantasia atoa. Bora virar o jogo! Elismar, vai lá dentro e coloca uma música bem animada no volume máximo.
-Ei chapeuzinho vermelho masoquista, quem você pensa que é para mandar em mim?-Ele perguntou enquanto arqueava a sobrancelha bem desenhada para mim.
-Cala boca e vai logo! Ela sabe o que está falando. -Israel resmungou empurrando o viado.
-Eu vou, mas só porque você está pedindo com carinho. -Ele disse enviando uma piscadela para o lobo ao meu lado.
Tirei os meus saltos e puxei Juliana para o meio do gramado, ignorando a chuva.
-O que está fazendo? Ficou maluca? - Esbravejou encharcada.
-Dance!
-O quê?
-Precisamos salvar a festa do pavão e mostrar a essas pessoas que é possível se divertir na chuva. Não faça essa cara de trouxa. O que temos a perder?
-Dignidade?
-E algum dia tivemos isso? - Ergui uma sobrancelha.
-ELISMAR, AUMENTA ESSE SOM! - Ela berrou tirando as sandálias.
Correndo o risco de sermos taxadas de otárias e acabar com a minha imagem na mídia, dançamos com toda a energia. Até arriscamos uns passinhos coreografados, coisa antiga, do tempo de começo de estrada. A chuva caía ainda mais forte e já não me preocupava com a maquiagem, vestido ou postura. Tudo que me interessava era mostrar o quanto estava me divertindo, na intenção de chamar a atenção para o foco principal daquela noite: diversão.
Girei de braços abertos sentido as gotas frias em minha face. Até queria ver a expressão nos rostos dos expectadores, porém tinha medo de que aquilo minasse minha coragem.
-RAPAZ DO CÉU, GOSTEI DESSE TRÉM! - Luan chegou pulando feito um calango pisando em brasa.
Agora éramos três corajosos ignorando os risos que ecoavam pelo jardim. De repente, Israel se aproximou tão animado quanto eu. Ri da forma descontraia que dançou, ele realmente estava curtindo. O Rei do arrocha e meu namorado pularam e gesticularam para que as outras pessoas se aproximassem. O mais louco é que deu certo. Logo o restante dos pavões... digo...das pessoas estavam no gramado e alguns viados perderam o medo da chuva.
Sem que eu esperasse, Israel pegou minha mão e girou-me. Seu sorriso perfeito fez meu coração pulsar um pouco mais forte e por um breve momento esqueci-me de tudo. Apenas dancei, distraída com aqueles olhos escuros vivos quanto à música que contagiou a todos, lotando o gramado.
-Elismar, desliga lá o som. Eu tive uma ideia. - Ele gritou, em seguida cochichou com um dos caras que o acompanhavam, o qual rapidinho lhe trouxe um violão.
Quase todas as pessoas que haviam sido convidadas estavam na chuva, todos olhando para o Israel. Ele simplesmente começou a tocar e cantar uma música conhecida. Para incentivar, acompanhei com palmas e muitos dos convidados me seguiram. Em segundos já estávamos cantando juntos. O microfone e todos os instrumentos não fizeram a menor falta, pois se formou um coro animado que tornou a festa muito mais interessante e interativa.
Israel caminhou por entre as pessoas, espalhando charme e carisma. Os viados suspiravam a cada passo dele e tentavam tocá-lo.
Eu estava feliz por a festa estar se reerguendo. Cantei alto o refrão da música,senti mãos firmes em minha cintura, meu corpo estremeceu com o contato que eu conhecia tão bem. Virei-me e meus olhos se chocaram contra os negros que eram do meu Moreno. Logo meus braços enlaçaram seu pescoço. Então, suavemente começamos a nos mover.
Foi como se tudo à minha volta desaparecesse, eu estava realizada. Quando ele me girou, desejei que aquele momento nunca acabasse. O corpo dele exalava um calor que jamais senti seu sorriso brilhante, mais uma vez, fez meu coração palpitar como louco e eu tinha medo que ele pudesse estar ouvindo. Ergui uma mão e, sutilmente, toquei a maçã de seu rosto. Ele correspondeu, tocando a minha. Eu senti que não podia existir nada mais perfeito do que aquele momento, mesmo com a chuva se dissipando.
-Eu amo você!-Ele sussurrou no meu ouvido. Meu corpo inteiro se arrepiou e ele notou isso.
-Eu amo você, meu Moreno. -Respondi no mesmo tom e aproveitei para morder o lóbulo da sua orelha. Ele estremeceu.
-Sabe o que eu acabei de me lembrar?
-O quê?-Me afastei para olhá-lo com a chuva chicoteando no meu rosto.

-Quando a gente dançou na chuva. -Ele disse acariciando meu rosto com o seu nariz.
-Foi um dos melhores dias da minha vida. -Eu disse e a lembrança veio no mesmo momento.
-Quais foram os outros?-Ele perguntou mordendo minha bochecha.
-Isso você vai ter que descobrir. - Dei-lhe uma piscadela. Ele fez uma careta fofa.
-Você não podia apenas ser uma namorada normal e dizer "Foi o dia em que eu te conheci." Ou algo do tipo?
-Isso soaria muito clichê e eu não sou uma namorada normal.
-Isso eu já percebi há certo tempo.
-Idiota!-Resmunguei.
-Mas você ama esse idiota.
-Demais!-Respondi.
Luan me olhou analiticamente por uns segundos e em seguida colou seus lábios nos meus. Meu corpo imediatamente reagiu e eu levei meus dedos ao seu pescoço. Abria a minha boca, fazendo minha língua penetrar entre seus lábios. Ele fez o mesmo e nossas línguas se tocaram quentes e doces, saboreando uma à outra.
-Um, dois, três... Testando. -A voz irritante no microfone veio de Elismar  que estava em cima do palco, onde já haviam tido algumas apresentações transformistas antes da chuva ser iniciada. Amaldiçoei a bichona por atrapalhar meu momento perfeito com meu namorado. -Desculpe os casaizinhos, mas preciso interromper. Peço, por obséquio, que todos venham para dentro da casa. ANDEM MEUS AMORES, NÃO DEMOREM! AFF...
A pedido do pavão, todas as bichas loucas invadiram o salão. Nos fomos atrás. Minha família e os meus amigos aproximaram-se de mim, atentos ao que Elismar tagarelava no microfone. Nos reunimos em um pequeno círculo no meio do salão, à espera do anúncio de Elismar. Os rapazes demonstravam se divertir com a festa. Meu pai continuava a beber, e me perguntei se ele já estava alcoolicamente bem disposto.
Finalmente, Elismar continuou seu comunicado.
-Meus queridos amigos do peitinho de mami. A festa está um escândalo graças a chapeuzinho vermelho masoquista, não está à baderna que acontece em algumas festas da concorrência. Porque nós somos todos bichas agulha, damos o furo, mas não perdemos a linha! HU!... OHOHOHOHOH! Agora que estão todos presentes, quero anunciar o ponto alto do nosso baile. O BLACKOUT DA PEGAÇÃO, QUANDO AS LUZES SE APAGAREM, NINGUÉM É DE NINGUÉM, VALE TUDO! HU!...OHOHOHOHOH.
Os rapazes encararam-se assustados e então...
-AAAAAAAAHHHHHHHHHH! -Gritaram segundos antes das luzes serem apagadas.
Tudo ficou impossivelmente escuro e a música “It's Raining Men” começou a tocar tão alto, que quase fiquei surda. Juro que ouvi alguém gritar: “Está chovendo homens! Aleluia!”.
Um verdadeiro tumulto se formou. Fiquei apavorada, algumas pessoas me puxavam, outras me empurravam, pisaram no meu pé e alguém pegou na minha bunda! Aquilo parecia um inferno!
-It's Raining Men! Hallelujah!
It's Raining Men! Amen!
It's Raining Men! Hallelujah!
It's Raining Men! Amen!
Quando coloquei as mãos na cabeça, tentando não ser esmagada pelos viados enlouquecidos, ouvi alguém gritar desesperado por socorro, eu tenho quase certeza que aquela voz pertencia ao meu irmão.
Alguém me empurrou e senti que iria cair no chão, mas braços fortes me seguraram, me puxando para longe do tumulto. Não consegui ver nada, nem sequer apalpar algo, pois meus braços estavam imobilizados por mãos firmes e quentes.
Foi aí que o inesperado aconteceu. Essa pessoa que me salvou de ser pisoteada beijou-me violentamente.
No início, paralisei devido ao susto, mas, então, as batidas do meu coração aceleraram, de tal forma, que respirar se tornou uma vaga lembrança. Meu coração só reagia assim próximo ao Luan. Logo deduzi que era ele, pela forma selvagem que me agarrou. Tentei abraçá-lo, mas fui impedida. Resolvi ceder, entregando-me ao beijo quente e intenso. A língua dele invadiu minha boca com urgência, como se implorasse para ser sugada. E eu o fiz. Sua mão agarrou-me pela raiz dos cabelos, não me deixando escapar daquele beijo obsceno. Cada milímetro de mim estremecia, desejando cada vez mais aqueles lábios suculentos. A boca do meu salvador derrapou para minha mandíbula, a qual foi mordida e lambida. Mais uma vez, tentei agarrá-lo e, outra vez, fui impedida. Eu queria muito tocá-lo, sentir seu corpo contra o meu, mas tudo que sentia era sua boca feroz e faminta. Ele voltou a me beijar, arfando, sedento e eu estava da mesma forma. Eu queria que aquele beijo durasse para sempre, queria ser consumida por ele, queria queimar nas chamas daquela paixão até que nada mais importasse. Então, cedo demais, ele afastou-se de mim. Deu-me um beijo singelo na testa e partiu. Queria segui-lo, queria procurá-lo, mas estava zonza, trêmula e ofegante.
Fiquei, por mais alguns minutos, estagnada, tentando me recuperar daquele feroz beijo. Então, abruptamente, as luzes acenderam-se.
Tentei, primeiramente, me situar. Foi aí que vi as loucuras à minha volta, enquanto todos ainda estavam envolvidos pelo “BLACKOUT DA PEGAÇÃO”.
-QUE SACANAGEM É ESSA?-Gritei assustada e molhada. Acreditem, nos dois sentidos.
Testa estava sentado com Elismar em seu colo, que sorria feliz da vida, abanando sua pena de pavão no ar. Meu pai estava com a mão na bunda da minha mãe, enquanto lhe beijava. Juliana provavelmente ainda não tinha se dado conta que estava dando uns amassos em uma viado fantasiado de moranguinho. Bruna choramingava, segurando seu pé, sentada no chão e, por fim, fiquei chocada em ver Pedro, pálido no meio do salão, só de cueca. Não demorou em que eu avistasse um travesti de quase dois metros de altura fantasiado de Madonna, girando a bermuda vermelha de Pinóquio em seu dedo. Esfreguei os olhos, não estava acreditando na insanidade diante de mim. Foi então que percebi que nem Israel, nem Luan estavam no salão. Perguntei-me onde foram parar os dois. Será que eles haviam sido sequestrados pelas bichonas enlouquecidas?
Para minha felicidade avistei Luan adentrando o salão pelo lado esquerdo, o estranho foi ver Israel fazer o mesmo, só que pelo lado direito.
Ok, eu preciso beber alguma coisa ou vou pirar.
Meia hora depois, o alvoroço havia passado. Juliana queria ir para casa, envergonhada por ter dados uns “pegas” em um viado, Guilherme estava emburrado por ter sido trocado por um viado, Bruna reclamava o tempo todo que quase esmagaram seu pé, Pedro já estava vestido, mas não tinha coragem de encarar ninguém, Testa enchia a cara, provavelmente se segurando para não esfaquear Elismar que ainda estava no seu pé a todo o momento passando-lhe a pena pelo corpo. Meu pai estava completamente bêbado, se acabando na pista de dança com minha mãe. Quanto a Luan e Israel, discutiam infantilmente sobre quem era mais resistente à bebida.
-Você só pode estar me zoando, eu sempre bebi mais que você nos churrascos na casa do Fernando, Israel, não me vem com essa agora, ok? - Reclamou o meu Moreno com o rosto afundado no meu pescoço.
-Qual é Luan? Não se irrite, eu só sou melhor que você nisso, cara, sempre fui. Não custa admitir.
O meu namorado bufou contrariado enquanto eu inutilmente tentava acalmá-lo acariciando sua nuca.
-É sempre assim, Israel, você acha que pode ganhar tudo, mas não pode, não vou deixar!
-Eu não tenho tanta certeza. -Provocou o lobo um pouco arrogante.
-Tudo bem, vamos resolver essa parada agora. -Luan levantou-se da mesa junto comigo quase me deixando ir de encontro ao chão.
-Como? - Perguntou Roberval, interessado no assunto.
-Vamos fazer uma competição. Quem aguentar beber mais, vence. -Luan sorriu presunçoso.
-PARA TUDOOOOOO! -Berrou Elismar  o pavão, e eu até me assustei. -GARÇONS! TRAGAM OS COPOS E A TEQUILA, QUERO VER A DISPUTA SEXY DO LOBO CONTRA O CAÇADOR! HU!... OHOHOHOHOH!
-É ISSO AÍ! -Gritou meu pai, em apoio, erguendo uma taça de champanhe e chacoalhando a pança de teletubbie. O mundo havia ficado de cabeça para baixo ou era só eu que estava vendo aquilo?
A pedido do anfitrião, Luan e Israel sentaram-se em uma mesa no meio do salão. Todos pararam para ver a infantil competição. Elismar encheu vários pequenos copos com tequila e eles logo começaram a beber.
-Manda ver Luan, bota tudo pra dentro. -Falou Pedro, segurando os ombros do cunhado que virou a primeira dose.
-Ui, tudo pra dentro! Não me provoquem, HU!... OHOHOHOHOH! -Zombou a bichona.
-Moreno, você tem certeza que quer fazer isso? -Perguntei em um sussurro.
-Relaxa Branquela, eu sei o que estou fazendo. -Respondeu ele, e Israel bebeu sua dose.
Os copos estavam sendo facilmente esvaziados pelo Santana e o Novaes. Pedro narrava, empolgado, cada dose consumida por eles. As bichas dividiram-se em dois grupos, de um lado, a torcida de Israel e, do outro, a do Luan. A essa altura, as purpurinadas já tinham até inventado musiquinhas de incentivo.
Óbvio que eu estava torcendo pelo Luan, mas, ao mesmo tempo, estava preocupada por Israel estar levando aquela competição muito a sério.
Meus olhos buscaram pela minha mãe e meu pai, que haviam sumido inexplicavelmente. Fiquei enjoada, ao considerar a possibilidade de que eles estivessem fazendo coisas inapropriadas.
Meia hora depois, os rapazes ainda estavam lá enchendo a cara.
Mas as torcidas organizadas continuavam dando o maior apoio. Lógico, não era todo dia que elas viam aquela exibição desnecessária de testosterona.
Dava para perceber que eles já não bebiam com entusiasmo, na verdade, parecia mais uma tortura, cada dose consumida.
-Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe! -Gritavam todos, a cada dose.
- Bebam, bofes, bebam! -Incentivou Elismar. -Mas gostaria de adverti-los que cu de bêbado não tem dono.
-Uiiiii. -Falaram os viados em coro.
Eu ri. Aquela situação era cômica ao extremo.
Os adversários viraram outra dose, encarando-se sérios.
-Luan e Israel são muito competitivos, ficam em disputas bobas desde que se conheceram. -Sussurrou Roberval para Juliana.
Era demais, eu tinha que pôr um fim naquele parangolê.
-Tudo bem, acabou a baderna. Chega de bebida. - Falei, tomando os copos das mãos dos dois e fui fortemente vaiada.
-Não se mete, Branquela! -Esbravejou Luan, visivelmente bêbado.
-Tudo bem, Na, eu já estou quase ganhando. - Disse Israel, pegando outro copo.
-Ganhando uma pinóia! -Luan levantou-se, agarrado à garrafa de tequila. -Quem tomar toda a garrafa mais rápido, vence!
Israel rapidamente pegou sua garrafa, levantou-se alterado e ambos começaram a beber na boca da garrafa. Eu estava enjoada só de olhar. Meu Deus, eles iam ficar sem fígado!
-Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe! -A galera começou a gritar, entusiasmada.
Por mais absurdo que pareça, eles esvaziaram as garrafas ao mesmo tempo. Encararam-se por um segundo, sorriram e cada um caiu para o lado, inconsciente.
Fiquei observando, atônita.
-Wow! Quem ganhou? -Questionou Roberval, confuso.
-VOCÊ!... ME GANHOU, BONEQUINHO! -Gritou Elismar, a bichona, jogando-se nos braços do bisonhento.

Primeiramente quero que perdoem pela demora de não ter postado antes, mas vocês entendem que eu estava apenas esperando a meta ser alcançada não é? E como vocês pediram eu vou diminuir a meta, mas espero que vocês não desistam de comentar. Eu preciso do comentário de cada um de vocês, possa ser que eu não respondo lá, mas todos vocês sabem que eu sempre tento responder através das notas finais, por aqui.
Agora vamos falar do capítulo... Pediram tanto pelo Rael e ai está ele,mas garanto, ele não vai sumir tão cedo u.u O que acharam dessa incrível coincidência das fantasias? E o Pavão... Digo,Elismar? Quero saber de tudo, sobre essa competição deles e principalmente sobre o beijo que ela recebeu do salvador dela. Já sabem que é ele? 
Comentem por favor,critiquem,elogiem e digam o que vocês querem ver na fanfic. Quero agradecer pelos comentários do capítulo anterior, muito obrigada mesmo! Nos vemos no próximo capítulo e não se esqueçam nosso Moreno hoje no Criança Esperança Ao vivo na globo, às 22h20min.
Posto outro depois de no mínimo 17 comentários.

18 comentários:

  1. meu Deus que festa foi essa?? O.O kkkk
    @LS_FuracaodoAmr

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  2. Mmmmmeu Deus quem sera o salvador dela??? Fiquei curiosa o.o quero mais @imissy0uls

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  3. AAAAAAAAAAAAAa eu axei que vc havia nos abandonado :X cara cada dia mais vc me surpreende de verdade. Eu amo ler e quando me apaixonei por fanfics eu procurava algo mais parecido com os livros de meu autor favorito. E a sua fanfic é assim. Do jeitoo que eu AMO sério, você arrebenta e eu nao me canso de ler. Tá de Parabééns. Necessito te conhecer e te parabenizar pessoalmente haha Quero maaais :D beijos Susan Grill

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  4. Mds Que Capítulo foi Esse Muié?? Rapaiz do céu... Eu Ameeeii!! Mais i esse Beijo da Naah Hein?? Tenho certeza que Foi o israel cara :\ Eles Não PODEM VOLTARR E NEM O LUAN E
    NAAH SE SEPARAR Plmdds Hein amr!!!
    Continuuuuaaa
    @Fc_MyLifeLS_

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  5. uaaaaaaal kkkkkk continua @luanmerapita

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  6. amor qm estava beijando a na, era o Luan msm ? E onde ele e o Israel estavam ? Eu n entendi essa parte rs

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  7. Jesus que festa foi essa??!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk #morri

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  8. MEU DEUS.. QUE CAPÍTULO PERFEITO.. AMEEEEEEEEI HAHAHAHA
    Israel que beijou ela né? :f Luan vai morrer quando souber :x Ela ainda gosta um cado do Rael né? Eles precisam resolver isso.. OU ela perdoa ele e esquece ou ela nunca vai conseguir seguir seu namoro com o Lu..
    Posta mais..
    @SomosLuanetes_

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  9. Será que foi o Israel? Será que ela ainda ama ele? Acho que não, sla! Mas se ela não pode fazer isso com o luan cara, ele não merece, ele ama tanto ela, faz td por ela, na vdd os dois se amam tanto luan, quanto a Na e acho que ela não sentiria aquilo se o beijo não fosse realmente do luan, pq ai ela estaria mentindo sobre os sentimentos dela em relação ao Luan! Se vc não sente nd pela pessoa, o beijo se torna sem graça, pode ter desejo e tal, mas amor não, e sla, nao sei mais o que pensar kkkkk o jeito é esperar pra ver o que vem por ai né Dona natacha escritora kkkkkkk Beijos, Ingryd

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  10. Eu espero que o salvador dela seja o Luan haha adorei essa festa bem diver kkk mais bj bruna

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  11. Eu acho que foi o israel quem beijou ela .. sei la.. kk

    Foi muito bom esse capitulo cara kkkk amei.. ri demaaaaaais kkkkkkk

    Thayná Isis - @isisthayna

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  12. Eu acho que o salvador dela foi o moreno kkkk quero mais

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  13. Tô achando que foi o Israel que beijou ela tbm :////// ihhhhhh posta mais

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  14. Nossa, que capítulo mais lindo... To curiso quem sera que vai ficar:i . Meu Deus bora postar o próximo

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  15. rpz que festa foi essa ? Kkk o salvador da na foi p Luan ne ?! Ain cara posta mais

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  16. olha que o testa saiu ganhando tbm kkkkkkkkkkkkk continua muiéee ^.^

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  17. foi o Luan que beijou a Natacha *-* cara to cada dia mais encantada com sua fic, na vdd não tem como não gostar da fic cê escreve bem dms *-* continua

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  18. Nossa Senhora!!!!!!!! Que capítulo foi esse hein dona Natacha escritora? kkkkkkkkkk
    COntinuua muié!!!!!!!!!!!!!

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