Israel vestia uma calça de couro marrom, um grande casaco de pele em tons acobreados aberto, exibindo seu peito nu e definido, vários cordões indígenas, e, por fim, uma máscara de lobo, que lhe cobria apenas a parte superior do rosto, deixando à mostra seus lábios carnudos.
NÃO DAVA PARA CONFUNDIR COM UM CACHORRO, ELE ERA MESMO UM LOBO, UM LOBO MAU AOS MEUS OLHOS.
Eu estava errada, não podia encarar aquela parada.
-OH... MEU... DEUS! EDUAAARDOOO
MENDONÇAAA! -Veio gritando em nossa direção, um pavão. Sim, um sujeito
baixinho, cabelos encaracolados vermelhos, branquelo, cheio de sardas e
vestindo uma fantasia horrorosa de pavão.
-Olá, Elismar! -Cumprimentou meu pai.
-HU!... OHOHOHOHOH! -Bastou ele rir pra eu
notar o porquê da fantasia de pavão. Elismar era uma bichona! -Meus
amores, que honra obscena recebê-los aqui. Por favor, Eduardo, me apresente sua
família. -Pediu o anfitrião, enquanto soprava uma pena de pavão em suas
mãos.Enquanto meu pai nos apresentava,sem ânimo, me arrastei até o jardim sendo
guiada pelo namorado.
Luan POV
Meu Deus, que figura era aquela? A
fantasia de pavão não fazia jus ao seu jeito escandaloso de rir e falar.
Eduardo nos apresentou formalmente, mas eu duvidava que ele lembrasse todos os
nomes. Ele mais parecia interessado em nossas fantasias.
-Estão todos explodindo de lindos,
inclusive você, Eduardo Mendonça, amei de paixão sua fantasia de Teletubbies,
isso foi para me agradar? Eu realmente adoro o Tinky Winky, durmo com ele toda
noite. Nossa, sua esposa de enfermeira safada, hein? Que fantasia absurdamente
absurda! Eduardo, seu danadinho!
Eu tive vontade de rir da cara do meu
sogrão, constrangido, mas me contive, na esperança que Elismar não
viesse falar comigo.
Porém, ele continuou a analisar nossas
fantasias.
-Nossa Edu, seus filhos são lindos! -O
pavão nos fitou com um largo sorriso. Quando o anfitrião avistou Pedro ao meu
lado, pude perceber que meu cunhado estremeceu.
-QUE COISA MAIS LINDA, PAIZINHO DO CÉU! Um
pinoquinho! Me responda, meu amor, onde está seu pauzinho... Desculpe... Quero
dizer, seu narizinho de madeira? HU!... OHOHOHOHOH!
-Eu não tenho, eu não minto! -Afirmou
Pedro, em um fio de voz. E ele não escapou da pena de pavão passada pelo corpo.
Até que o pavão estagnou em frente ao Testa. -Que fantasia linda, qual é?
-Chuck, o brinquedo assassino! -Respondeu
ele, emburrado, fazendo questão de exibir a faca.
-Ui, que delíciaaaa, parece o bonequinho
que mamãe não me deu. HU!... OHOHOHOHOH! -Elismar gargalhou espalhafatoso
mais uma vez. Passou a pena de pavão no corpo do meu amigo. Não aguentei, caí
na gargalhada. Pra que eu fui fazer isso? O som da minha risada chamou a
atenção do pavão. -Luanzinho, a sua fantasia eu já sei qual é querido, é um
caçador, hum... Podemos brincar de caçar, o que você acha? Eu sou um lindo
veadinho indefeso, você me caça, me mata e me come! -Que sacanagem! Agora todos
riram menos eu. Elismar passou a pena no meu rosto e fiz uma careta.
Esquivei-me para poder ver a cara do
Israel -que vinha em nossa direção-, quando a bichona fosse fazer piada da
fantasia dele.
-Que homem enooorme! Olha só gente, ele é
um lobinho. -Elismar também passou a pena pelo ex da minha namorada, que a
deteve com uma mão. Israel o encarou carrancudo
e Elismar sobressaltou. -AAHHHHH, minha santíssima Madonna! O bofe é
literalmente uma fera, morri. AAAAAAUUUUUUUUUUU! - Sim, o pavão aviadado uivou
e Israel não gostou nadinha. Eu e Pedro até tentamos segurar a gargalhada por
educação, mas foi impossível.
-Não se assustem
pessoal, Elismar é apenas brincalhão. -Interveio Eduardo.
-Você tem toda razão, Edu, eu adorooo uma
brincadeirinha. Ui!-Ele estremeceu.
-O que acha da minha
fantasia, Elismar? -Perguntou Juliana.
-É, combina com você, meu amor. -Respondeu
ele com descaso. Foi então, que encarou minha namorada, sorridente e feliz
pelas piadas destinadas a nós. -Capuz vermelho, cestinho, vestidinho vermelho?
Não me diga que você é uma chapeuzinho vermelho masoquista.
-Não! -Natacha parecia ofendida. -Sou uma
chapeuzinho vermelho do mau.
-Meu bem, desculpe decepcioná-la, mas você
está mais pra uma chapeuzinho vermelho masoquista, aceite!
Natacha encarou furiosa, a Juliana, que
deu de ombros como se falasse “é, parece mesmo”.
-ESPERA UM POUCO! -Elismar berrou,
pondo as mãos no ar. -Chapeuzinho vermelho masoquista, lobo hiper mau e caçador
gostoso? Isso foi combinado? Posso ser a vovozinha?
-NÃO! -Respondemos os três, estranhamente,
ao mesmo tempo. E isso despertou outra gargalhada histérica na bichona.
Olhei à minha volta e notei que a maior
parte das pessoas não estavam fantasiadas, elas eram mesmo travestis e drag
queens!
Tive vontade de falar mais palavrões que a
minha Branquela. Cara, o universo conspirava contra mim?
Puxei rapidamente Roberval para um lado e
sussurrei.
-Cara, só por garantia, não fique com
ninguém dessa festa!
-Porque, Luan? Poxa cara, já tem até umas
totosas me encarando ali. -Apontou ele e, quando eu olhei as tais totosas do
Roberval, me perguntei como era possível que a anta do meu amigo não percebesse
que eram drag queens em volta da piscina.
-Tudo bem, seu animal, pega suas totosas,
mas se você for picado por uma cobra, não vem me encher o saco depois.
-Esbravejei me distanciando.
-Ei, o que você quis dizer com uma cobra?
-Perguntou o bisonho, me seguindo.
Natacha POV
Eu estava largadona em uma cadeira com uma
Heineken na mão.
Na mesa comigo estavam Luan, Bruna, Pedro
e Felipe. Juliana e Guilherme dançavam. Porém, o que mais me preocupava era o
fato do meu pai estar sempre com um copo de champanhe nas mãos. Eduardo não era
de beber, no entanto, eu já havia perdido as contas de quantas taças ele havia
tomado. Ele dançava animado na pista perto da piscina com a minha mãe.
Dando um longo selinho em meu namorado, me
levantei e fui até a mesa de bebidas me servi. Sem que eu pudesse impedir, meu
braço bateu em uma das pilhas de copos e a mesma foi parar no chão. Abaixei-me
na minha maior má vontade e comecei a pegá-las.
-Na? - Reconheci a voz e petrifiquei. Ouvi
passos se aproximando de mim, porém, não consegui me mover. -O que está
fazendo?
Derrotada, ergui a cabeça lentamente e
encarei Israel. Por que raios ele tinha se aproximado?
-Oi.
-Por que está no chão?
-Estou... Hã... Eu acabei derrubando os copos.
- Levantei-me com a ajuda da mão que ele me ofertava. -E você? O que faz aqui?
- Mudei de assunto.
-Folga. Sabe como é... Também sou humano.
- Humano? Essa era uma coisa que duvidava. - Eu fui convidado.
-Ah... -Respondi tirando o capuz da minha
cabeça e passando as mãos pelos cabelos, suavemente. Tive o prazer de observar
Israel engolir seco.
Peguei uma taça de champanhe e fingi
deixar uma gota escorrer pela minha boca. Aquilo foi uma das coisas que aprendi
com Juliana uma vez, e, por incrível que pareça, funcionou do jeitinho que ela
havia me explicado. Meus lábios chamaram a atenção do meu ex. Estava sendo bom
provocá-lo.
-Você está tão diferente... -Sussurrou
Israel.
-Eu não estou diferente, é que, bem... Quando
nós namoramos, eu não estava sendo eu mesma. -Nossa, de onde eu tirei essa?
-Entendo, mas devo confessar que você
ficou muito linda vestida de chapeuzinho vermelho. -Falou ele, meigo, tocando o
capuz da minha capa.
Pude sentir meu rosto corar. Porque diabos
eu estou corando?
-Ah, não. Fiquei meio engraçada.
-Se você chama sexy de engraçada, então,
definitivamente, você está engraçada. -Disse ele, bebendo um gole de champanhe.
-Fiquei feliz por ter sido convidado para esse baile. Não tenho muitos
amigos... -Ele sorriu sem humor. -Minhas noites estão um pouco solitárias.
-E as mulheres da sua vida, como pode se
sentir sozinho? -Perguntei, e sem que eu percebesse estava descarregando as
palavras amargas sobre ele.
Ele desviou os olhos engolindo em seco, tirou
a máscara que estava sobre sua cabeça e segurou-a em sua mão esquerda. Seu
rosto estava contorcido em uma leve careta.
-Eu não quero falar sobre isso essa noite.
-Ele murmurou.
-Droga! Droga! Droga!
- Elismar vociferou quase batendo em um dos viados parando ao nosso
lado na mesa de bebidas.
-O que aconteceu? - Juliana perguntou se
aproximando. A sua pergunta foi respondida pelo som do trovão que ecoou no
jardim. Olhei para o céu e vi que o tempo estava totalmente fechado.
-Essa sebosa fez o favor de ferrar com
tudo. - Ele estava uma fera. -A burra achou que seria um luxo se mandasse
montar um palco sem cobertura.
-Minha Diva, como eu podia adivinhar que
ia chover? - Ela emburrou. -Saco! Olha como eu organizei tudo direitinho.
-Bastou o viado fechar a boca e começou a chover.
O pessoal correu para se proteger do
aguaceiro embaixo das árvores, deck e principalmente dentro da mansão.
-Viu só. - Elismar apontou para
a chuva. - Algo está muito errado aqui.
-Me recuso a aceitar que sou azarada. -O
outro viado disse emburrado. -Logo o tempo vai melhorar e vamos nos divertir,
pois não me produzi toda à toa.
-Espera. - Examinei o aguaceiro, as
pessoas descontentes e o gramado perto do palco. - Não vesti essa fantasia
atoa. Bora virar o jogo! Elismar, vai lá dentro e coloca uma música bem
animada no volume máximo.
-Ei chapeuzinho vermelho masoquista, quem
você pensa que é para mandar em mim?-Ele perguntou enquanto arqueava a
sobrancelha bem desenhada para mim.
-Cala boca e vai logo! Ela sabe o que está
falando. -Israel resmungou empurrando o viado.
-Eu vou, mas só porque você está pedindo
com carinho. -Ele disse enviando uma piscadela para o lobo ao meu lado.
Tirei os meus saltos e puxei Juliana para
o meio do gramado, ignorando a chuva.
-O que está fazendo? Ficou maluca? -
Esbravejou encharcada.
-Dance!
-O quê?
-Precisamos salvar a festa do pavão e
mostrar a essas pessoas que é possível se divertir na chuva. Não faça essa cara
de trouxa. O que temos a perder?
-Dignidade?
-E algum dia tivemos isso? - Ergui uma
sobrancelha.
-ELISMAR, AUMENTA ESSE SOM! - Ela berrou
tirando as sandálias.
Correndo o risco de sermos taxadas de otárias
e acabar com a minha imagem na mídia, dançamos com toda a energia. Até
arriscamos uns passinhos coreografados, coisa antiga, do tempo de começo de
estrada. A chuva caía ainda mais forte e já não me preocupava com a maquiagem,
vestido ou postura. Tudo que me interessava era mostrar o quanto estava me
divertindo, na intenção de chamar a atenção para o foco principal daquela
noite: diversão.
Girei de braços abertos sentido as gotas
frias em minha face. Até queria ver a expressão nos rostos dos expectadores,
porém tinha medo de que aquilo minasse minha coragem.
-RAPAZ DO CÉU, GOSTEI DESSE TRÉM! - Luan
chegou pulando feito um calango pisando em brasa.
Agora éramos três corajosos ignorando os
risos que ecoavam pelo jardim. De repente, Israel se aproximou tão animado
quanto eu. Ri da forma descontraia que dançou, ele realmente estava curtindo. O
Rei do arrocha e meu namorado pularam e gesticularam para que as outras pessoas
se aproximassem. O mais louco é que deu certo. Logo o restante dos pavões... digo...das
pessoas estavam no gramado e alguns viados perderam o medo da chuva.
Sem que eu esperasse, Israel pegou minha
mão e girou-me. Seu sorriso perfeito fez meu coração pulsar um pouco mais forte
e por um breve momento esqueci-me de tudo. Apenas dancei, distraída com aqueles
olhos escuros vivos quanto à música que contagiou a todos, lotando o gramado.
-Elismar, desliga lá o som. Eu tive uma
ideia. - Ele gritou, em seguida cochichou com um dos caras que o acompanhavam, o
qual rapidinho lhe trouxe um violão.
Quase todas as pessoas que haviam sido
convidadas estavam na chuva, todos olhando para o Israel. Ele simplesmente
começou a tocar e cantar uma música conhecida. Para incentivar, acompanhei com
palmas e muitos dos convidados me seguiram. Em segundos já estávamos cantando
juntos. O microfone e todos os instrumentos não fizeram a menor falta, pois se
formou um coro animado que tornou a festa muito mais interessante e interativa.
Israel caminhou por entre as pessoas,
espalhando charme e carisma. Os viados suspiravam a cada passo dele e tentavam
tocá-lo.
Eu estava feliz por a festa estar se
reerguendo. Cantei alto o refrão da música,senti mãos firmes em minha cintura,
meu corpo estremeceu com o contato que eu conhecia tão bem. Virei-me e meus olhos se chocaram contra os
negros que eram do meu Moreno. Logo meus braços enlaçaram seu pescoço. Então,
suavemente começamos a nos mover.
Foi como se tudo à minha volta
desaparecesse, eu estava realizada. Quando ele me girou, desejei que aquele
momento nunca acabasse. O corpo dele exalava um calor que jamais senti seu
sorriso brilhante, mais uma vez, fez meu coração palpitar como louco e eu tinha medo que ele pudesse estar ouvindo. Ergui uma mão e,
sutilmente, toquei a maçã de seu rosto. Ele correspondeu, tocando a minha. Eu
senti que não podia existir nada mais perfeito do que aquele momento, mesmo com
a chuva se dissipando.
-Eu amo você!-Ele sussurrou no meu ouvido.
Meu corpo inteiro se arrepiou e ele notou isso.
-Eu amo você, meu Moreno. -Respondi no
mesmo tom e aproveitei para morder o lóbulo da sua orelha. Ele estremeceu.
-Sabe o que eu acabei de me lembrar?
-O quê?-Me afastei para olhá-lo com a
chuva chicoteando no meu rosto.
-Quando a gente dançou na chuva. -Ele
disse acariciando meu rosto com o seu nariz.
-Foi um dos melhores dias da minha vida. -Eu
disse e a lembrança veio no mesmo momento.
-Quais foram os outros?-Ele perguntou
mordendo minha bochecha.
-Isso você vai ter que descobrir. -
Dei-lhe uma piscadela. Ele fez uma careta fofa.
-Você não podia apenas ser uma namorada
normal e dizer "Foi o dia em que eu te conheci." Ou algo do tipo?
-Isso soaria muito clichê e eu não sou uma
namorada normal.
-Isso eu já percebi há certo tempo.
-Idiota!-Resmunguei.
-Mas você ama esse idiota.
-Demais!-Respondi.
Luan me olhou analiticamente por uns
segundos e em seguida colou seus lábios nos meus. Meu corpo imediatamente
reagiu e eu levei meus dedos ao seu pescoço. Abria a minha boca, fazendo minha
língua penetrar entre seus lábios. Ele fez o mesmo e nossas línguas se tocaram
quentes e doces, saboreando uma à outra.
-Um, dois, três... Testando. -A voz
irritante no microfone veio de Elismar que estava em cima do palco,
onde já haviam tido algumas apresentações transformistas antes da chuva ser
iniciada. Amaldiçoei a bichona por atrapalhar meu momento perfeito com meu
namorado. -Desculpe os casaizinhos, mas preciso interromper. Peço, por
obséquio, que todos venham para dentro da casa. ANDEM MEUS AMORES, NÃO DEMOREM!
AFF...
A pedido do pavão, todas as bichas loucas
invadiram o salão. Nos fomos atrás. Minha família e os meus amigos
aproximaram-se de mim, atentos ao que Elismar tagarelava no microfone.
Nos reunimos em um pequeno círculo no meio do salão, à espera do anúncio de Elismar.
Os rapazes demonstravam se divertir com a festa. Meu pai continuava a beber, e
me perguntei se ele já estava alcoolicamente bem disposto.
Finalmente, Elismar continuou
seu comunicado.
-Meus queridos amigos do peitinho de mami.
A festa está um escândalo graças a chapeuzinho vermelho masoquista, não está à
baderna que acontece em algumas festas da concorrência. Porque nós somos todos
bichas agulha, damos o furo, mas não perdemos a linha! HU!... OHOHOHOHOH! Agora
que estão todos presentes, quero anunciar o ponto alto do nosso baile. O
BLACKOUT DA PEGAÇÃO, QUANDO AS LUZES SE APAGAREM, NINGUÉM É DE NINGUÉM, VALE
TUDO! HU!...OHOHOHOHOH.
Os rapazes encararam-se assustados e
então...
-AAAAAAAAHHHHHHHHHH! -Gritaram segundos
antes das luzes serem apagadas.
Tudo ficou impossivelmente escuro e a
música “It's Raining Men” começou a tocar tão alto, que quase fiquei surda.
Juro que ouvi alguém gritar: “Está chovendo homens! Aleluia!”.
Um verdadeiro tumulto se formou. Fiquei
apavorada, algumas pessoas me puxavam, outras me empurravam, pisaram no meu pé
e alguém pegou na minha bunda! Aquilo parecia um inferno!
-It's
Raining Men! Hallelujah!
It's
Raining Men! Amen!
It's
Raining Men! Hallelujah!
It's Raining Men! Amen!
Quando coloquei as mãos na cabeça,
tentando não ser esmagada pelos viados enlouquecidos, ouvi alguém gritar
desesperado por socorro, eu tenho quase certeza que aquela voz pertencia ao meu
irmão.
Alguém me empurrou e senti que iria cair
no chão, mas braços fortes me seguraram, me puxando para longe do tumulto. Não
consegui ver nada, nem sequer apalpar algo, pois meus braços estavam
imobilizados por mãos firmes e quentes.
Foi aí que o inesperado aconteceu. Essa
pessoa que me salvou de ser pisoteada beijou-me violentamente.
No início, paralisei devido ao susto, mas,
então, as batidas do meu coração aceleraram, de tal forma, que respirar se
tornou uma vaga lembrança. Meu coração só reagia assim próximo ao Luan. Logo
deduzi que era ele, pela forma selvagem que me agarrou. Tentei abraçá-lo, mas
fui impedida. Resolvi ceder, entregando-me ao beijo quente e intenso. A língua
dele invadiu minha boca com urgência, como se implorasse para ser sugada. E eu
o fiz. Sua mão agarrou-me pela raiz dos cabelos, não me deixando escapar
daquele beijo obsceno. Cada milímetro de mim estremecia, desejando cada vez
mais aqueles lábios suculentos. A boca do meu salvador derrapou para minha
mandíbula, a qual foi mordida e lambida. Mais uma vez, tentei agarrá-lo e,
outra vez, fui impedida. Eu queria muito tocá-lo, sentir seu corpo contra o
meu, mas tudo que sentia era sua boca feroz e faminta. Ele voltou a me beijar,
arfando, sedento e eu estava da mesma forma. Eu queria que aquele beijo durasse
para sempre, queria ser consumida por ele, queria queimar nas chamas daquela
paixão até que nada mais importasse. Então, cedo demais, ele afastou-se de mim.
Deu-me um beijo singelo na testa e partiu. Queria segui-lo, queria procurá-lo,
mas estava zonza, trêmula e ofegante.
Fiquei, por mais alguns minutos,
estagnada, tentando me recuperar daquele feroz beijo. Então, abruptamente, as
luzes acenderam-se.
Tentei, primeiramente, me situar. Foi aí
que vi as loucuras à minha volta, enquanto todos ainda estavam envolvidos pelo
“BLACKOUT DA PEGAÇÃO”.
-QUE SACANAGEM É ESSA?-Gritei assustada e
molhada. Acreditem, nos dois sentidos.
Testa estava sentado
com Elismar em seu colo, que sorria feliz da vida, abanando sua pena
de pavão no ar. Meu pai estava com a mão na bunda da minha mãe, enquanto lhe
beijava. Juliana provavelmente ainda não tinha se dado conta que estava dando
uns amassos em uma viado fantasiado de moranguinho. Bruna choramingava,
segurando seu pé, sentada no chão e, por fim, fiquei chocada em ver Pedro,
pálido no meio do salão, só de cueca. Não demorou em que eu avistasse um
travesti de quase dois metros de altura fantasiado de Madonna, girando a
bermuda vermelha de Pinóquio em seu dedo. Esfreguei os olhos, não estava
acreditando na insanidade diante de mim. Foi então que percebi que nem Israel,
nem Luan estavam no salão. Perguntei-me onde foram parar os dois. Será que eles
haviam sido sequestrados pelas bichonas enlouquecidas?
Para minha felicidade avistei Luan
adentrando o salão pelo lado esquerdo, o estranho foi ver Israel fazer o mesmo,
só que pelo lado direito.
Ok, eu preciso beber alguma coisa ou vou
pirar.
Meia hora depois, o alvoroço havia
passado. Juliana queria ir para casa, envergonhada por ter dados uns “pegas” em
um viado, Guilherme estava emburrado por ter sido trocado por um viado, Bruna reclamava o tempo todo que quase esmagaram seu pé, Pedro já
estava vestido, mas não tinha coragem de encarar ninguém, Testa enchia a cara,
provavelmente se segurando para não esfaquear Elismar que ainda
estava no seu pé a todo o momento passando-lhe a pena pelo corpo. Meu pai
estava completamente bêbado, se acabando na pista de dança com minha mãe.
Quanto a Luan e Israel, discutiam infantilmente sobre quem era mais resistente
à bebida.
-Você só pode estar me zoando, eu sempre
bebi mais que você nos churrascos na casa do Fernando, Israel, não me vem com
essa agora, ok? - Reclamou o meu Moreno com o rosto afundado no meu pescoço.
-Qual é Luan? Não se irrite, eu só sou
melhor que você nisso, cara, sempre fui. Não custa admitir.
O meu namorado bufou contrariado enquanto
eu inutilmente tentava acalmá-lo acariciando sua nuca.
-É sempre assim, Israel, você acha que
pode ganhar tudo, mas não pode, não vou deixar!
-Eu não tenho tanta certeza. -Provocou o
lobo um pouco arrogante.
-Tudo bem, vamos resolver essa parada agora.
-Luan levantou-se da mesa junto comigo quase me deixando ir de encontro ao
chão.
-Como? - Perguntou Roberval, interessado
no assunto.
-Vamos fazer uma competição. Quem aguentar
beber mais, vence. -Luan sorriu presunçoso.
-PARA TUDOOOOOO!
-Berrou Elismar o pavão, e eu até me assustei. -GARÇONS! TRAGAM OS
COPOS E A TEQUILA, QUERO VER A DISPUTA SEXY DO LOBO CONTRA O CAÇADOR! HU!...
OHOHOHOHOH!
-É ISSO AÍ! -Gritou meu pai, em apoio,
erguendo uma taça de champanhe e chacoalhando a pança de teletubbie. O mundo
havia ficado de cabeça para baixo ou era só eu que estava vendo aquilo?
A pedido do anfitrião, Luan e Israel
sentaram-se em uma mesa no meio do salão. Todos pararam para ver a infantil
competição. Elismar encheu vários pequenos copos com tequila e eles
logo começaram a beber.
-Manda ver Luan, bota tudo pra dentro.
-Falou Pedro, segurando os ombros do cunhado que virou a primeira dose.
-Ui, tudo pra dentro! Não me provoquem,
HU!... OHOHOHOHOH! -Zombou a bichona.
-Moreno, você tem certeza que quer fazer
isso? -Perguntei em um sussurro.
-Relaxa Branquela, eu sei o que estou fazendo.
-Respondeu ele, e Israel bebeu sua dose.
Os copos estavam sendo facilmente
esvaziados pelo Santana e o Novaes. Pedro narrava, empolgado, cada dose
consumida por eles. As bichas dividiram-se em dois grupos, de um lado, a
torcida de Israel e, do outro, a do Luan. A essa altura, as purpurinadas já
tinham até inventado musiquinhas de incentivo.
Óbvio que eu estava torcendo pelo Luan,
mas, ao mesmo tempo, estava preocupada por Israel estar levando aquela competição
muito a sério.
Meus olhos buscaram pela minha mãe e meu
pai, que haviam sumido inexplicavelmente. Fiquei enjoada, ao considerar a
possibilidade de que eles estivessem fazendo coisas inapropriadas.
Meia hora depois, os rapazes ainda estavam
lá enchendo a cara.
Mas as torcidas organizadas continuavam
dando o maior apoio. Lógico, não era todo dia que elas viam aquela exibição
desnecessária de testosterona.
Dava para perceber que eles já não bebiam
com entusiasmo, na verdade, parecia mais uma tortura, cada dose consumida.
-Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe!
-Gritavam todos, a cada dose.
- Bebam, bofes, bebam!
-Incentivou Elismar. -Mas gostaria de adverti-los que cu de bêbado não tem
dono.
-Uiiiii. -Falaram os viados em coro.
Eu ri. Aquela situação era cômica ao
extremo.
Os adversários viraram outra dose,
encarando-se sérios.
-Luan e Israel são muito competitivos,
ficam em disputas bobas desde que se conheceram. -Sussurrou Roberval para
Juliana.
Era demais, eu tinha que pôr um fim
naquele parangolê.
-Tudo bem, acabou a baderna. Chega de
bebida. - Falei, tomando os copos das mãos dos dois e fui fortemente vaiada.
-Não se mete, Branquela! -Esbravejou Luan,
visivelmente bêbado.
-Tudo bem, Na, eu já estou quase ganhando.
- Disse Israel, pegando outro copo.
-Ganhando uma pinóia! -Luan levantou-se,
agarrado à garrafa de tequila. -Quem tomar toda a garrafa mais rápido, vence!
Israel rapidamente pegou sua garrafa,
levantou-se alterado e ambos começaram a beber na boca da garrafa. Eu estava
enjoada só de olhar. Meu Deus, eles iam ficar sem fígado!
-Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe, Bebe,
Bebe, Bebe, Bebe! -A galera começou a gritar, entusiasmada.
Por mais absurdo que pareça, eles
esvaziaram as garrafas ao mesmo tempo. Encararam-se por um segundo, sorriram e
cada um caiu para o lado, inconsciente.
Fiquei observando, atônita.
-Wow! Quem ganhou? -Questionou Roberval,
confuso.
-VOCÊ!... ME GANHOU, BONEQUINHO!
-Gritou Elismar, a bichona, jogando-se nos braços do bisonhento.
Primeiramente quero que perdoem pela demora de não ter postado antes, mas vocês
entendem que eu estava apenas esperando a meta ser alcançada não é? E como
vocês pediram eu vou diminuir a meta, mas espero que vocês não desistam de
comentar. Eu preciso do comentário de cada um de vocês, possa ser que eu não
respondo lá, mas todos vocês sabem que eu sempre tento responder através das
notas finais, por aqui.
Agora vamos falar do capítulo... Pediram
tanto pelo Rael e ai está ele,mas garanto, ele não vai sumir tão cedo u.u O que
acharam dessa incrível coincidência das fantasias? E o Pavão... Digo,Elismar?
Quero saber de tudo, sobre essa competição deles e principalmente sobre o beijo
que ela recebeu do salvador dela. Já sabem que é ele?
Comentem por favor,critiquem,elogiem e
digam o que vocês querem ver na fanfic. Quero agradecer pelos comentários do
capítulo anterior, muito obrigada mesmo! Nos vemos no próximo capítulo e não se
esqueçam nosso Moreno hoje no Criança Esperança Ao vivo na globo, às 22h20min.
Posto outro depois de no mínimo 17
comentários.

meu Deus que festa foi essa?? O.O kkkk
ResponderExcluir@LS_FuracaodoAmr
Mmmmmeu Deus quem sera o salvador dela??? Fiquei curiosa o.o quero mais @imissy0uls
ResponderExcluirAAAAAAAAAAAAAa eu axei que vc havia nos abandonado :X cara cada dia mais vc me surpreende de verdade. Eu amo ler e quando me apaixonei por fanfics eu procurava algo mais parecido com os livros de meu autor favorito. E a sua fanfic é assim. Do jeitoo que eu AMO sério, você arrebenta e eu nao me canso de ler. Tá de Parabééns. Necessito te conhecer e te parabenizar pessoalmente haha Quero maaais :D beijos Susan Grill
ResponderExcluirMds Que Capítulo foi Esse Muié?? Rapaiz do céu... Eu Ameeeii!! Mais i esse Beijo da Naah Hein?? Tenho certeza que Foi o israel cara :\ Eles Não PODEM VOLTARR E NEM O LUAN E
ResponderExcluirNAAH SE SEPARAR Plmdds Hein amr!!!
Continuuuuaaa
@Fc_MyLifeLS_
uaaaaaaal kkkkkk continua @luanmerapita
ResponderExcluiramor qm estava beijando a na, era o Luan msm ? E onde ele e o Israel estavam ? Eu n entendi essa parte rs
ResponderExcluirJesus que festa foi essa??!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk #morri
ResponderExcluirMEU DEUS.. QUE CAPÍTULO PERFEITO.. AMEEEEEEEEI HAHAHAHA
ResponderExcluirIsrael que beijou ela né? :f Luan vai morrer quando souber :x Ela ainda gosta um cado do Rael né? Eles precisam resolver isso.. OU ela perdoa ele e esquece ou ela nunca vai conseguir seguir seu namoro com o Lu..
Posta mais..
@SomosLuanetes_
Será que foi o Israel? Será que ela ainda ama ele? Acho que não, sla! Mas se ela não pode fazer isso com o luan cara, ele não merece, ele ama tanto ela, faz td por ela, na vdd os dois se amam tanto luan, quanto a Na e acho que ela não sentiria aquilo se o beijo não fosse realmente do luan, pq ai ela estaria mentindo sobre os sentimentos dela em relação ao Luan! Se vc não sente nd pela pessoa, o beijo se torna sem graça, pode ter desejo e tal, mas amor não, e sla, nao sei mais o que pensar kkkkk o jeito é esperar pra ver o que vem por ai né Dona natacha escritora kkkkkkk Beijos, Ingryd
ResponderExcluirEu espero que o salvador dela seja o Luan haha adorei essa festa bem diver kkk mais bj bruna
ResponderExcluirEu acho que foi o israel quem beijou ela .. sei la.. kk
ResponderExcluirFoi muito bom esse capitulo cara kkkk amei.. ri demaaaaaais kkkkkkk
Thayná Isis - @isisthayna
Eu acho que o salvador dela foi o moreno kkkk quero mais
ResponderExcluirTô achando que foi o Israel que beijou ela tbm :////// ihhhhhh posta mais
ResponderExcluirNossa, que capítulo mais lindo... To curiso quem sera que vai ficar:i . Meu Deus bora postar o próximo
ResponderExcluirrpz que festa foi essa ? Kkk o salvador da na foi p Luan ne ?! Ain cara posta mais
ResponderExcluirolha que o testa saiu ganhando tbm kkkkkkkkkkkkk continua muiéee ^.^
ResponderExcluirfoi o Luan que beijou a Natacha *-* cara to cada dia mais encantada com sua fic, na vdd não tem como não gostar da fic cê escreve bem dms *-* continua
ResponderExcluirNossa Senhora!!!!!!!! Que capítulo foi esse hein dona Natacha escritora? kkkkkkkkkk
ResponderExcluirCOntinuua muié!!!!!!!!!!!!!